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Esta semana na Comunidade: o documentário Psychedelia

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As experiências místicas sempre estiveram presentes ao longo da história humana, em todas as culturas e tradições espalhadas pelo mundo. Ao longo das décadas, debateu-se longamente  se os psicodélicos poderiam trazer experiências semelhantes às místicas/religiosas. Embora o termo “místico” possa parecer contrário à ciência, alguns estudos científicos resolveram investigar justamente esse aspecto humano, como o famoso “experimento da Sexta-Feira Santa” de 1962 – no qual voluntários ingeriram psilocibina dentro de uma capela para investigar os efeitos da substância -, e sua re-edição em 2006 pela equipe da Johns Hopkins University.

As experiências místicas têm características bem descritas, e existem até mesmo escalas científicas para avaliá-las. Alguns dos eventos mais comuns registrados  são a sensação de unidade com o mundo e a dissolução da noção de tempo e espaço. São temas que aparecem nas mais diferentes tradições religiosas do planeta, seja nas escrituras, na tradição oral ou em rituais – e sabemos que também ocorrem frequentemente sob o efeito de psicodélicos. 

O documentário Psychedelia, de Pat Murphy, apresenta estudos sobre experiências místicas por meio  de um panorama histórico e entrevistas com pacientes. Ele mostra também que este tipo de vivência pode trazer benefícios no tratamento de dependência química, ansiedade e depressão em pacientes de doenças terminais, por exemplo. 

Entender as especificidades destas experiências, auxiliar pacientes que as vivenciaram e aumentar o potencial terapêutico são os objetivos centrais dos profissionais da Comunidade Phaneros.

A Comunidade Phaneros é um grupo de estudos formado por mais de 400 membros, que discute semanalmente temas relacionados a psicodélicos. Nesta quinta-feira conversaremos sobre o documentário Psychedelia, escolhido em votação pelos membros do grupo, dentre três opções possíveis. 

Se você também quer participar da Comunidade Phaneros, acompanhe a nossa página e aproveite o próximo período de inscrições!

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Psilocibina parece ter efeito positivo sobre a criatividade

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Em um estudo recente publicado na revista Translational Psychiatry, um grupo de cientistas da Universidade de Maastricht, na Holanda, demonstrou o efeito do uso da psilocibina, o princípio ativo dos famosos cogumelos mágicos, sobre o pensamento criativo dos participantes. 

Ao longo da história, existem diversos relatos individuais sobre o aumento da criatividade causada por psicodélicos, mas pouquíssimos experimentos controlados haviam sido feitos para testar essa hipótese. 

A pesquisa reforçou a ideia de que existem duas formas de manifestação da cognição criativa: a deliberada e a espontânea. A cognição criativa deliberada aparece quando alguém está focado em realizar um conjunto específico de passos, em uma situação guiada ou cronometrada (como, por exemplo, ao escrever uma redação ou inventar um prato de cozinha profissional.). Ela exige mais atenção do indivíduo, bem como mais racionalização e planejamento. 

Já a cognição criativa espontânea tende a ocorrer quando a atenção está mais desfocada, com pensamentos mais aleatórios, não filtrados – um estado mental supostamente mais semelhante ao estado psicodélico. 

Os dados da pesquisa parecem sugerir que a psilocibina foi capaz de aumentar agudamente o potencial para o pensamento criativo espontâneo, ao mesmo tempo em que diminuiu drasticamente o potencial para a cognição criativa deliberada, pelo menos na fase aguda do efeito da substância.

Atualmente, já se sabe que a criatividade costuma depender de um equilíbrio entre a cognição criativa deliberada e a espontânea e, nesse quesito, a psilocibina parece ter levado ainda mais vantagem. Durante a sessão psicodélica, a psilocibina interrompeu a interação entre essas duas cognições mas, depois de finalizada, esse equilíbrio foi restaurado. Isso se tornou evidente pelo número crescente de novas ideias que os participantes foram capazes de ter, uma semana após a sessão, ainda que quantidade de ideias não necessariamente se traduza em utilidade.

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Uma breve história da psilocibina

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Um artigo publicado em maio de 2021 no Journal of Antibiotics pelo pesquisador David Nichols, da Universidade da Carolina do Norte, reconta a intrigante história dos cogumelos mágicos – de seu uso por sociedades pré-Colombianas à revolução psicodélica que vêm protagonizando nos últimos anos. 

Os primeiros registros do cogumelo no mundo ocidental foram feitos pelo frei franciscano espanhol ​​Bernardino de Sahagún que, em 1529, viajou para o México recém-invadido. Lá, ele entrou em contato com os astecas e passou mais de 50 anos estudando sua cultura – o idioma, os ritos e hábitos – e compilou tudo em uma obra de mais de 2400 páginas. Nelas, há a citação frequente a uma tal de “​​teonanacatl”: a “carne de deus” na língua asteca. Eram os cogumelos mágicos.

De acordo com o artigo, missionários espanhóis então passaram séculos tentando esconder a existência dos rituais  – com grande sucesso. Os cogumelos mágicos só voltaram a ser discutidos nos EUA já no século 20, quando exploradores descobriram os escritos do frei Bernardino e partiram para o México em busca da substância misteriosa. Na década de 1930, pesquisadores da Universidade Harvard tentaram levar os cogumelos para os EUA, e até participaram de rituais mexicanos. 

Foi apenas nos anos 1960, quando dois micólogos amadores chamados Valentina e Gordon Wasson, que também era banqueiro em NY, foram para Oaxaca juntamente com um fotojornalista da revista Life e registraram os ritos ancestrais, que o mundo parou para prestar atenção. A revista publicou as imagens das viagens psicodélicas, e mais e mais pessoas passaram a se interessar pelos cogumelos do gênero Psilocybe. Wasson mandou um exemplar para o químico suíco Albert Hofmann – e o resto é história. 

Hofmann notoriamente ingeriu os cogumelos por conta própria para comprovar seus efeitos psicodélicos e, então, passou a tentar isolar o componente ativo dos fungos. Como se sabe, ele foi bem-sucedido: nascia assim a psilocibina. E é ela – que já transformava sociedades milenares muito antes do Ocidente saber que havia continentes do outro lado do Atlântico – que agora parece estar revolucionando a forma como entendemos a mente humana.

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Canadá abre clínica para tratar pacientes terminais com psilocibina

Phaneros blog Canadá Clínica PsilocibinaFoi inaugurado em fevereiro de 2021 o primeiro centro especializado em Psicoterapia Assistida por Psicodélicos na província de Alberta, no Canadá. O estabelecimento recebeu o aval legal, mas ainda de alcance limitado, para abrir as portas e começar a receber pacientes terminais que estão em tratamento paliativo.

Eles serão tratados com psilocibina, substância extraída dos chamados “cogumelos mágicos”, que obteve resultados positivos em estudos científicos para aumentar o bem-estar e a qualidade de vida de pacientes terminais.

O ATMA Calgary Urban Journey Clinic tem quase 500 metros quadrados e conta com áreas para procedimentos de cura, transformação e treinamento. Isso porque o local pretende também atuar como centro de formação para psicoterapeutas interessados em se familiarizar com psicodélicos. As salas de atendimento – decoradas em tons neutros e poltronas e tapetes confortáveis – estão preparadas para terapias individuais e em grupo.

Pacientes interessados, e que atenderem os pré-requisitos estabelecidos por lei, terão que se candidatar a uma autorização especial pelo sistema de saúde público canadense, que se tornou possível em 2020. Por enquanto, a clínica está autorizada a tratar apenas pacientes com doenças terminais, como câncer, mas a esperança é que terapias parecidas com psilocibina possam também se estender a pessoas diagnosticadas com depressão, estresse pós-traumático, ansiedade e vício.

A expectativa é que o Canadá se torne um dos próximos países a legalizar tratamentos com psicodélicos em grande escala. Com a pandemia e o crescimento de distúrbios mentais em toda a população, a esperança é que essas substâncias ajudem na contenção de danos. Por enquanto, psicodélicos como a psilocibina só podem ser administrados em casos excepcionais, como na ATMA Calgary Urban Journey Clinic.

Curadoria: Psilocybinalpha.com

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Psilocibina: tão eficiente para depressão que nem parece verdade

Psilocibina artigo blog PhanerosImagine um antidepressivo capaz de resolver 70% dos casos graves em apenas duas doses de medicamento, acompanhadas por sessões de terapia?

Para qualquer pessoa que já tenha passado por um episódio de depressão, ou que conheça alguém nessa situação, parece uma história de ficção. Isso porque os remédios atualmente disponíveis no mercado nem sempre são eficientes para todos. Antidepressivos tradicionais costumam demorar de duas a seis semanas para fazer efeito. Isso quando fazem. Diversos estudos já mostraram que até metade dos usuários de antidepressivos comuns desenvolvem condições resistentes a tratamentos, além de causarem vários efeitos adversos.

Mas agora uma nova alternativa para esse transtorno psiquiátrico, que a OMS considera uma das doenças mais preocupantes do século 21, vem despontando como uma aposta promissora: a psilocibina, substância encontrada nos chamados “cogumelos mágicos”, do gênero Psilocybe.

Um novo estudo randomizado (no qual os participantes foram sorteados para começar o tratamento imediatamente ou dentro de oito semanas), realizado na Universidade Johns Hopkins, e publicado na prestigiada JAMA Psychiatry, mostrou taxas estrondosas de sucesso em tratar casos graves de depressão com psicoterapia assistida por psilocibina.

Os 24 pacientes receberam apenas duas cápsulas de psilocibina, com um intervalo de uma semana entre elas. Durante os marcantes efeitos psicoativos da substância – que é também um dos psicofármacos mais seguros conhecidos -, os pacientes passaram por 11 horas de psicoterapia, escutando música, acompanhados constantemente por dois terapeutas.

Os resultados, avaliados estatisticamente, são impressionantes: mais de dois terços dos pacientes tiveram melhoras quase imediatas e persistentes por até 8 semanas. Os estudos com a psilocibina já estão em Fase 2, em que a segurança e a eficácia são testadas, e o método pode ser aprovado para uso clínico já nos próximos anos.

Curadoria: JamalNetwork.com