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Em que pé anda a pesquisa psicodélica na Alemanha?

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A Deutsche Welle, o conglomerado de mídia público do governo alemão, lançou no começo de outubro de 2021 uma grande reportagem relatando o status atual da ciência psicodélica no país.  

Além de descrever o momento inspirador pelo qual as pesquisas com alucinógenos estão passando no mundo inteiro, o artigo destaca as particularidades da Alemanha, especialmente uma pesquisa que está sendo conduzida no Zentralinstitut für Seelische Gesundheit (Instituto Central de Saúde Mental), na cidade de Mannheim. Por lá, pacientes diagnosticados com casos graves de depressão – resistentes aos tratamentos convencionais – estão recebendo doses de psilocibina (o princípio ativo dos cogumelos mágicos) dentro de um contexto de Psicoterapia Assistida por Psicodélicos (PAP). Um total de 144 voluntários já passaram pela experiência, e a lista de espera é imensa.

De acordo com o orientador do estudo, Gerhard Gründer, a parte mais difícil da iniciativa foi encontrar a substância por vias oficiais. De fato, são pouquíssimos os fornecedores de substâncias psicodélicas destinadas à pesquisa no mundo: ou seja, que foram produzidos seguindo rigorosos controles farmacêuticos de qualidade. Para além disso, a Alemanha também é notoriamente exigente em seus processos regulatórios. Ainda assim, graças ao alto número de participantes para uma pesquisa psicodélica, Gründer espera encontrar resultados estatisticamente significativos. 

A reportagem também dá destaque ao evento organizado pelos nossos parceiros da @mind_europe, a Insight Conference, que aconteceu em setembro. Uma iniciativa dessa magnitude, com quatro dias de atividades e centenas de participantes, mostra que o debate avançou dentro da maior economia da Europa. A Mind Foundation, por exemplo, tem o registro de 130 empresas que atuam no setor, “desde um retiro à base de psilocibina, A Whole New High, na Holanda; até a Wavepaths, especialista no som perfeito para acompanhar a trip nos fones de ouvido”, de acordo com a Deutsche Welle.

 

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Revista americana chama a psilocibina de “a maior revolução psiquiátrica desde o Prozac”

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Uma das mais tradicionais revistas semanais de notícias dos EUA, a @newsweek, dedicou a capa da edição de 22 de setembro de 2021 aos cogumelos mágicos. Estampado em letras garrafais, ao lado de fotos de nove cogumelos, lê-se o título “Um novo tratamento para a depressão”. E, se ainda restava dúvidas sobre a empolgação da publicação com o assunto, o autor, Adam Piore, é ainda mais enfático no texto: diz que a psilocibina (o princípio ativo desses cogumelos) poderá se revelar o maior avanço para a saúde mental desde a invenção do Prozac.

A revista acompanhou um dos voluntários de uma pesquisa feita na Universidade Johns Hopkins e publicada no ano passado na revista JAMA Psychiatry. Nela, Aaron Presley, de 34 anos, que por anos sofreu de uma depressão tão grave que o impossibilitava de sair da cama, recebeu dosagens altas de psilocibina acompanhadas por psicoterapia. Durante os efeitos da substância, ele teve visões de si durante a infância e se sentiu amado como há muito não o fazia. Depois da experiência, sua depressão regrediu consideravelmente. Esse mesmo estudo concluiu que a psilocibina era quatro vezes mais eficiente do que os antidepressivos tradicionais. 

De um modo geral, a revista traz um grande apanhado da história dos psicodélicos – de seus usos tradicionais em comunidades indígenas ao redor do mundo, ao boom de usuários recreativos no Ocidente que acabou levando à proibição dessas drogas, até chegar aos dias atuais, em que essas substâncias passaram a ser vistas como a grande promessa da psiquiatria. 

Boa parte da reportagem é dedicada a entender os efeitos dos psicodélicos no nosso cérebro. Entre eles, a maneira como são capazes de dissolver a percepção de ego e também a teoria de que essas substâncias seriam capazes de reprogramar as conexões cerebrais ou literalmente regenerar neurônios.

O destaque dado pela Newsweek ao assunto é mais um momento importante na mudança de atitude das pessoas em relação a essas substâncias. As informações contidas na reportagem, no entanto, você, que acompanha o trabalho do Instituto Phaneros, já deve conhecer há tempos 😉

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Polícia desmontou cultivo de cogumelos em Porto Alegre

 

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A polícia civil do Rio Grande do Sul descobriu e interceptou um laboratório de cultivo de cogumelos na região norte da cidade de Porto Alegre em junho deste ano. Dentro de uma casa residencial, um pai e um filho estavam cultivando os chamados “cogumelos mágicos”. A ação fez parte da Operação Leprechaun (em referência ao duende vestido de verde do folclore irlandês), que investiga o tráfico de drogas sintéticas.

Dentro da casa, foram encontrados insumos, estufas, diversos telefones celulares, balanças de precisão e até dois revólveres com 20 munições. Havia um local para o cultivo dos cogumelos e também uma espécie de laboratório para encapsulamento do material desidratado. A polícia declarou que os dois acusados já trabalhavam na operação há pelo menos um ano e meio. 

Resta saber se, de fato, o material comercializado continha ou não psilocibina e/ou psilocina, os princípios ativos destes cogumelos. Esta distinção é importante pois as moléculas estão nas listas de substâncias proscritas no Brasil, enquanto os próprios cogumelos não fazem parte das substâncias controladas, como acontece no caso da cannabis sativa, sendo a própria planta proscrita.

O material era vendido online em forma de cápsulas. Chamou a atenção da polícia a clientela de alto poder aquisitivo da dupla, que pagava entre R$ 200 e R$ 1400 por cada unidade.

O fato de a clientela dos psicodélicos ser formada justamente por pessoas de classes sociais mais elevadas faz com que sejam muito mais raras as operações policiais que foquem no combate dessas substâncias. As ações costumam se concentrar no tráfico de drogas de drogas mais “populares”, como a maconha, o crack ou até mesmo a cocaína. É essa distinção que torna a guerra às drogas um combate também às pessoas mais marginalizadas da sociedade: jovens pobres e negros, por exemplo.

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Pensilvânia quer autorizar testes com psilocibina

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Mais um estado norte-americano está trilhando o caminho rumo à regulamentação dos psicodélicos. Dessa vez, foi a Pensilvânia, estado vizinho de Nova York, no qual uma proposta de lei que promete autorizar estudos com psilocibina (a substância ativa dos chamados cogumelos mágicos) para tratar estresse pós-traumático e outros transtornos mentais deve chegar à Assembleia Legislativa.

A emenda na lei é focada em veteranos de guerra e primeiro-socorristas, dois grupos altamente propensos a apresentar traumas ao longo da vida. Surpreendentemente, a nova proposta já nasceu bipartidária: foi apresentada pela deputada Tracy Pennycuick, do partido republicano, e por Jennifer O’Mara, dos democratas. A ideia é que o estado comece a produzir psilocibina de forma legalizada.

“Os gastos totais do Governo Federal com pesquisas e tratamentos para transtornos mentais e abuso de substâncias foi mais de US$ 1 trilhão entre 2010 e 2019 – e isso não impediu que as taxas de morte por consequência desses males tenha saltado de 94 mil ao ano para 150 mil. O fardo é especialmente pesado para os nossos veteranos de guerra. Sua taxa de suicídio é 1,5 vezes maior do que a da população em geral, e estima-se que 20 veteranos cometam suicídio todos os dias nos EUA”, diz o texto do projeto de lei.

Se a ideia chegar à votação, será apenas mais um passo na verdadeira revolução jurídica que os psicodélicos estão vivendo nos EUA. Os estados do Oregon, Washington, Califórnia, Iowa e Nova York, entre outros, já autorizaram tratamentos psicodélicos e por vezes até o consumo. O Texas, tradicionalmente conservador, também está a um passo da regulamentação.

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Será que o novo governo americano vai ser amigável aos psicodélicos?

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Eis a pergunta da revista Rolling Stone no começo desse ano. Será que a troca de presidentes por lá – de Donald Trump para Joe Biden – representaria também um cenário mais favorável para a regulamentação dos psicodélicos?

Segundo a publicação, há alguns procedimentos legais que um governo com um posicionamento mais progressista poderia fazer. Atualmente, diversos estados e municípios americanos têm aprovado por conta própria o uso terapêutico de psicodélicos ou, como é o caso dos estados de Washington e Colorado, até regulamentado o uso dessas substâncias para algumas situações. O que o governo federal poderia fazer nesse caso é emitir uma recomendação para que procuradores de instâncias superiores não tentem reverter as novas leis estaduais. Isso impediria, por exemplo, que decisões locais possam ser anuladas. 

Outra ação mais proativa poderia ser tomada pelo DEA (o Drug Enforcement Administration, o órgão que coíbe o tráfico e consumo de drogas nos EUA). Uma vez que alguns estados reconheceram em seus tribunais que, por exemplo, a psilocibina (o princípio ativo dos cogumelos mágicos) pode ter usos medicinais, a agência teria que abrir um processo interno para reavaliar se a substância realmente deveria continuar constando entre as drogas ilegais. Esse é um procedimento obrigatório do DEA, que deveria ser feito a partir do momento em que qualquer substância passa a ser reconhecida como medicinal. Ainda assim, o órgão não o fez para a maconha – que está em um estado muito mais avançado de regulamentação.

É por dificuldades como essa que diversos especialistas entrevistados pela revista americana não acreditam que o governo Biden vá ter uma atitude tão contundente em relação ao tema quanto se gostaria. Agora só resta esperar para ver.

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Agência americana de combate às drogas agora quer aumentar a produção de psicodélicos para pesquisa

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Sim, foi isso mesmo que você leu. A Drug Enforcement Administration (DEA), a agência do governo dos EUA que combate o consumo e o tráfico de drogas, lançou essa semana uma nota propondo um aumento substancial na produção de psilocibina (o princípio ativo dos chamados cogumelos mágicos) e de maconha, para que possam ser usados em estudos científicos. As duas substâncias, no entanto, continuam classificadas como de “schedule I” pela própria agência – ou seja, ilegais e “sem nenhum uso medicinal aceito”.

O anúncio foi recebido por especialistas de forma controversa, com críticas e aprovação. Por um lado, houve quem visse na decisão da DEA um visível afrouxamento e uma disposição de reavaliar as classificações históricas dessas drogas. O fato de a agência querer disponibilizar maiores quantidades dessas substâncias para os centros de pesquisa científicos representa, de fato, uma mudança. “O aumento reflete a necessidade de realizar pesquisas, a fim de desenvolver potenciais novos medicamentos”, disse o anúncio feito essa semana. Ou seja, a própria DEA coloca no horizonte a possibilidade de essas substâncias se tornarem tratamentos reconhecidos e legalizados nos próximos anos.

Por outro lado, críticos apontaram a hipocrisia na decisão de autorizar a produção legal de maconha e psilocibina, sem no entanto alterar seu status legal. Trata-se de uma “estratégia desesperada da DEA para justificar sua própria existência, em um mundo no qual ela se tornou uma instituição obviamente obsoleta”, escreveu no Twitter o Psychedelic Stock Watch, uma agência de notícias que ajuda patrocinadores e empresas a investir no mundo dos psicodélicos

De acordo com a nova medida, a DEA vai permitir a produção de quase 2 toneladas de maconha, além de 1500 gramas de psilocibina – um aumento de 33% e 2900%, respectivamente, em relação ao ano anterior. No meio dessa discussão, fica a ciência, que certamente vai se beneficiar com o incentivo para pesquisas futuras.

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Legalização de psicodélicos na Califórnia é adiada para o ano que vem

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Já havíamos levantado a possibilidade na semana passada, mas agora a suspeita se confirmou: membros do poder legislativo do estado da Califórnia decidiram adiar para o ano que vem a votação sobre a legalização de substâncias psicodélicas. 

A medida foi apoiada até mesmo pelo proponente da nova lei, o senador estadual Scott Wiener, do partido democrata. Apesar de se declarar “decepcionado” com o adiamento, Wiener também afirmou ser necessário mais tempo “para criar bases educacionais, com deputados e senadores, e também com o público, para garantir o sucesso da proposta. Com o adiamento, poderemos capitalizar o impulso que a lei ganhou este ano para criar apoio no ano que vem”. Wiener também lembrou que a proposta de regulamentação avançou muito mais do que se antecipava.

De fato, a nova lei já havia passado pelo Senado estadual, e pelas comissões de saúde pública e de segurança da assembleia legislativa da Califórnia. O poder legislativo do estado mais populoso dos EUA tem duas casas – uma assembleia e um Senado – e para que uma nova lei possa ser aprovada por lá a proposta deve passar pelas duas. 

Se o projeto virar lei em 2022, cidadãos californianos com mais de 21 anos não poderão mais ser processados criminalmente por portar cogumelos mágicos, DMT, ibogaína, LSD ou MDMA. A ketamina, que inicialmente fazia parte da lista de psicodélicos que seriam legalizados, foi excluída em debates posteriores. Outra mudança recente no texto se deu em relação à quantidade limite que os cidadãos poderão portar de cada substância: 2 gramas de DMT, 0,01 grama de LSD, ou 2 gramas de psilocibina, por exemplo. 

“Descriminalizar os psicodélicos é um passo importante para dar um fim à falida guerra às drogas, e nós estamos comprometidos com essa luta. A crise da saúde mental está pior do que nunca e os psicodélicos se mostraram promissores para tratar transtornos mentais, de estresse pós-traumático a ansiedade e depressão”, disse Scott Wiener na declaração oficial desta semana.

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Esta semana na Comunidade: o documentário Psychedelia

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As experiências místicas sempre estiveram presentes ao longo da história humana, em todas as culturas e tradições espalhadas pelo mundo. Ao longo das décadas, debateu-se longamente  se os psicodélicos poderiam trazer experiências semelhantes às místicas/religiosas. Embora o termo “místico” possa parecer contrário à ciência, alguns estudos científicos resolveram investigar justamente esse aspecto humano, como o famoso “experimento da Sexta-Feira Santa” de 1962 – no qual voluntários ingeriram psilocibina dentro de uma capela para investigar os efeitos da substância -, e sua re-edição em 2006 pela equipe da Johns Hopkins University.

As experiências místicas têm características bem descritas, e existem até mesmo escalas científicas para avaliá-las. Alguns dos eventos mais comuns registrados  são a sensação de unidade com o mundo e a dissolução da noção de tempo e espaço. São temas que aparecem nas mais diferentes tradições religiosas do planeta, seja nas escrituras, na tradição oral ou em rituais – e sabemos que também ocorrem frequentemente sob o efeito de psicodélicos. 

O documentário Psychedelia, de Pat Murphy, apresenta estudos sobre experiências místicas por meio  de um panorama histórico e entrevistas com pacientes. Ele mostra também que este tipo de vivência pode trazer benefícios no tratamento de dependência química, ansiedade e depressão em pacientes de doenças terminais, por exemplo. 

Entender as especificidades destas experiências, auxiliar pacientes que as vivenciaram e aumentar o potencial terapêutico são os objetivos centrais dos profissionais da Comunidade Phaneros.

A Comunidade Phaneros é um grupo de estudos formado por mais de 400 membros, que discute semanalmente temas relacionados a psicodélicos. Nesta quinta-feira conversaremos sobre o documentário Psychedelia, escolhido em votação pelos membros do grupo, dentre três opções possíveis. 

Se você também quer participar da Comunidade Phaneros, acompanhe a nossa página e aproveite o próximo período de inscrições!

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Psilocibina parece ter efeito positivo sobre a criatividade

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Em um estudo recente publicado na revista Translational Psychiatry, um grupo de cientistas da Universidade de Maastricht, na Holanda, demonstrou o efeito do uso da psilocibina, o princípio ativo dos famosos cogumelos mágicos, sobre o pensamento criativo dos participantes. 

Ao longo da história, existem diversos relatos individuais sobre o aumento da criatividade causada por psicodélicos, mas pouquíssimos experimentos controlados haviam sido feitos para testar essa hipótese. 

A pesquisa reforçou a ideia de que existem duas formas de manifestação da cognição criativa: a deliberada e a espontânea. A cognição criativa deliberada aparece quando alguém está focado em realizar um conjunto específico de passos, em uma situação guiada ou cronometrada (como, por exemplo, ao escrever uma redação ou inventar um prato de cozinha profissional.). Ela exige mais atenção do indivíduo, bem como mais racionalização e planejamento. 

Já a cognição criativa espontânea tende a ocorrer quando a atenção está mais desfocada, com pensamentos mais aleatórios, não filtrados – um estado mental supostamente mais semelhante ao estado psicodélico. 

Os dados da pesquisa parecem sugerir que a psilocibina foi capaz de aumentar agudamente o potencial para o pensamento criativo espontâneo, ao mesmo tempo em que diminuiu drasticamente o potencial para a cognição criativa deliberada, pelo menos na fase aguda do efeito da substância.

Atualmente, já se sabe que a criatividade costuma depender de um equilíbrio entre a cognição criativa deliberada e a espontânea e, nesse quesito, a psilocibina parece ter levado ainda mais vantagem. Durante a sessão psicodélica, a psilocibina interrompeu a interação entre essas duas cognições mas, depois de finalizada, esse equilíbrio foi restaurado. Isso se tornou evidente pelo número crescente de novas ideias que os participantes foram capazes de ter, uma semana após a sessão, ainda que quantidade de ideias não necessariamente se traduza em utilidade.

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Uma breve história da psilocibina

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Um artigo publicado em maio de 2021 no Journal of Antibiotics pelo pesquisador David Nichols, da Universidade da Carolina do Norte, reconta a intrigante história dos cogumelos mágicos – de seu uso por sociedades pré-Colombianas à revolução psicodélica que vêm protagonizando nos últimos anos. 

Os primeiros registros do cogumelo no mundo ocidental foram feitos pelo frei franciscano espanhol ​​Bernardino de Sahagún que, em 1529, viajou para o México recém-invadido. Lá, ele entrou em contato com os astecas e passou mais de 50 anos estudando sua cultura – o idioma, os ritos e hábitos – e compilou tudo em uma obra de mais de 2400 páginas. Nelas, há a citação frequente a uma tal de “​​teonanacatl”: a “carne de deus” na língua asteca. Eram os cogumelos mágicos.

De acordo com o artigo, missionários espanhóis então passaram séculos tentando esconder a existência dos rituais  – com grande sucesso. Os cogumelos mágicos só voltaram a ser discutidos nos EUA já no século 20, quando exploradores descobriram os escritos do frei Bernardino e partiram para o México em busca da substância misteriosa. Na década de 1930, pesquisadores da Universidade Harvard tentaram levar os cogumelos para os EUA, e até participaram de rituais mexicanos. 

Foi apenas nos anos 1960, quando dois micólogos amadores chamados Valentina e Gordon Wasson, que também era banqueiro em NY, foram para Oaxaca juntamente com um fotojornalista da revista Life e registraram os ritos ancestrais, que o mundo parou para prestar atenção. A revista publicou as imagens das viagens psicodélicas, e mais e mais pessoas passaram a se interessar pelos cogumelos do gênero Psilocybe. Wasson mandou um exemplar para o químico suíco Albert Hofmann – e o resto é história. 

Hofmann notoriamente ingeriu os cogumelos por conta própria para comprovar seus efeitos psicodélicos e, então, passou a tentar isolar o componente ativo dos fungos. Como se sabe, ele foi bem-sucedido: nascia assim a psilocibina. E é ela – que já transformava sociedades milenares muito antes do Ocidente saber que havia continentes do outro lado do Atlântico – que agora parece estar revolucionando a forma como entendemos a mente humana.