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Esta semana na FoPAP: Joanna Simundic e Jordan Sloshower

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Esta semana, mais dois especialistas internacionais vão dar as caras – e compartilhar suas experiências – com os alunos da primeira turma da Formação em Pesquisa com Psicoterapia Assistida por Psicodélicos (FoPAP). É o médico Jordan Sloshower, da Universidade de Yale e associado ao centro de pesquisa psicodélica Usona Institute; e a terapeuta Joanna Simundic, que colabora com a @mapsnews. 

A objetivo do encontro é poder comparar os manuais de ética e boas práticas das duas instituições. Jordan tem vasta experiência em pesquisa com psilocibina para tratar casos de depressão e Joanna participou dos testes clínicos em Fase 3 concluídos no ano passado com MDMA para pacientes com estresse pós-traumático. 

Ambos os manuais – o do Usona e o da MAPS – discorrem sobre os princípios essenciais para uma sessão responsável de Psicoterapia Assistida por Psicodélicos (PAP). Isso inclui o papel dos terapeutas, práticas que devem ser feitas e aquelas a serem evitadas, a diferença entre esse tipo de tratamento e os métodos tradicionais de psicoterapia e a delicadeza e o jogo de cintura necessários para acompanhar pacientes sob efeitos de psicodélicos. Desde os últimos encontros, os alunos da FoPAP já vêm lendo os dois manuais e a ideia é que eles possam colaborar com Jordan e Joanna.

O objetivo do encontro é poder reconhecer as similaridades e também as diferenças dos dois manuais, contemplando as experiências distintas que as substâncias podem causar nos pacientes. De que maneira também se difere o tratamento para transtornos tão diferentes quanto a depressão e o estresse pós-traumático? Quem vai fazer a mediação do debate será o presidente do Instituto Phaneros, Eduardo Schenberg, PhD.

A FoPAP oferecerá, ao longo de 18 meses, atividades individuais e em grupo, online e presenciais, incluindo aulas teóricas, apresentação de casos clínicos, role-play, leituras e produção de material intelectual reflexivo sobre aspectos teóricos e práticos da Psicoterapia Assistida por Psicodélicos. O objetivo é capacitar profissionais de saúde que participarão de estudos clínicos e colaborarão com pesquisas científicas sobre o assunto.

Paula Siqueira

Esta semana na Comunidade: uma conversa sobre não-integração

Paula Siqueira

A convidada desta semana na Comunidade Phaneros 2022 é a psicóloga brasileira Paula Siqueira. Especializada em Psicologia Analítica, escola desenvolvida pelo austríaco Carl Jung, ela também oferece terapias integrativas baseadas nas medicinas orientais do Ayurveda, Siddha e Taoismo. 

Para a  conversa com a Comunidade, porém, ela vai abordar outro aspecto de sua experiência: seu interesse na cultura psicodélica, em especial a ayahuasqueira do Brasil e da cultura mazateca do México. Paula é certificada pelo California Institute of Integral Studies (CIIS) em psicoterapia assistida por psicodélicos (PAP) e está fazendo a formação da MAPS em terapia assistida por MDMA. Junto ao Instituto Phaneros, ela faz parte do grupo de médicos, cientistas e terapeutas que conduzirão as próximas pesquisas com MDMA e psilocibina no Brasil.

Para dar o pontapé inicial no debate, os alunos irão assistir o curta-metragem “Evocando Ori” (2022), de autoria da própria psicóloga, que aborda as experiências psicodélicas por um viés de não-integração. No vídeo, a protagonista vive uma procura intensa por uma conexão com o seu mundo espiritual, de autoconhecimento – ao mesmo tempo em que resiste às mudanças possivelmente dolorosas que esse processo traz consigo. “Ori” é uma palavra de matriz africana, de origem Yorubá, que significa literalmente “cabeça”, mas que é também um conceito metafísico: a intuição espiritual e o destino de uma pessoa

Como material de apoio, o grupo também irá ler o trabalho de pesquisa de Paula, de mesmo nome. A ideia é que os alunos possam aprender e trocar com as experiências da psicóloga e que possam debater o que acontece quando as experiências psicodélicas não são integradas. 

Ao longo do ano, a Comunidade oferecerá 35 encontros, sempre às terças-feiras, com visitas de alguns dos maiores especialistas do assunto no Brasil e no mundo. Neles, serão discutidos artigos científicos, filmes, livros e documentários sobre o universo dos psicodélicos e suas aplicações para a saúde mental.

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Manifestantes são presos em protesto a favor da psilocibina para pacientes terminais

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Já contamos aqui o caso dos pacientes terminais nos EUA que estão processando o Ministério da Justiça e o Drug Enforcement Administration (DEA), o órgão que combate o tráfico de drogas por lá, pelo direito de ingerir psilocibina na fase final de suas vidas. Juntamente com seus médicos, duas mulheres esperam poder ingerir legalmente o princípio ativo dos chamados cogumelos mágicos para ajudar a aliviar a ansiedade e a depressão que costumam vir junto com uma doença incurável. O DEA, no entanto, recusou a demanda.

No começo de maio de 2022, as pacientes, juntamente com um grupo de ativistas, resolveram dar mais um passo rumo às suas reivindicações. Para isso, organizaram um protesto na frente da sede do DEA. Os ativistas soltaram bombas de fumaça colorida, colaram cartazes e escreveram mensagens de protestos nos muros e janelas e tiraram as bandeiras de sinalização do edifício. Como era esperado, a polícia foi chamada.

As autoridades não detiveram os manifestantes imediatamente. Em vez disso, tentaram negociar com oficiais do DEA uma possível negociação com os ativistas, o que também foi negado. Depois de um debate de horas, a polícia acabou algemando e prendendo 16 ativistas.

Kathryn Tucker, a advogada de Erinn Baldeschwiler, uma das pacientes terminais que estão processando o DEA, também estava no protesto. “Estamos aqui para exigir que o DEA abra um caminho para o acesso. Nenhum paciente terminal deveria sofrer de ansiedade e depressão debilitantes, quando existem alternativas para isso”, disse ela ao portal Marijuana Moments. “É incompreensível que alguém possa negar esse tipo de alívio para um paciente que está morrendo.”

Outro manifestante presente era David Bronner, CEO de uma marca de cosméticos naturais, a Dr. Bronner’s Magic Soaps, e notório ativista pela legalização das drogas. “Não estamos aqui pedindo pela compaixão do DEA, estamos exigindo que sigam precedentes legais”, disse.

Atualmente, diversos estados americanos estão flexibilizando suas regulamentações em relação aos psicodélicos.

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Esta semana na comunidade: Sandplay na integração

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Os encontros da Comunidade Phaneros 2022 seguem a todo vapor. Esta semana, daremos início a um eixo central do grupo de estudo: a compreensão e o estudo de diferentes linhas terapêuticas e suas potenciais colaborações para a terapia psicodélica. O foco da aula desta terça-feira, dia 6 de maio, é a técnica conhecida por Sandplay. Para isso, o Instituto Phaneros convidou uma de suas alunas da Formação em Pesquisa com Psicoterapia Assistida por Psicodélicos (FoPAP), Mercedes Elena Gutiérrez Ávila, especialista na técnica.

Baseado nos conceitos teóricos do psicanalista austríaco Carl Gustav Jung, o Sandplay é uma técnica não-verbal para facilitar o acesso ao inconsciente do paciente. Com a ajuda de uma caixa de areia, o paciente pode manipular seu conteúdo, desenhar sobre ele, molhá-lo, manuseá-lo e até acrescentar objetos em miniatura de sua escolha. A análise então é feita sobre a imagem criada ao final, uma vez que, de acordo com Jung, nosso inconsciente é permeado por símbolos, que podem vir à tona por meio desse exercício. 

O Sandplay pode ser interessante, por exemplo, para quem tem dificuldade em se expressar por meio de palavras – por isso, é usado com frequência também nas terapias com crianças. Seu efeito é frequentemente tranquilizador e relaxante, conduzindo a um estado contemplativo, o que também é uma vantagem para pessoas passando por situações de estresse ou com problemas de impulsividade.

O encontro faz parte do bloco de estudos chamado “Psicoterapia, Preparação e Integração” da Comunidade, no qual se espera que os membros entrem em contato com as práticas terapêuticas mais estabelecidas e comecem a se aprofundar na interação entre psicodélicos e psicoterapia. Para esse fim, a troca com profissionais que já atuam na área e que têm vivências clínicas se torna um elemento de aprendizagem importante.

Ao longo do ano, a Comunidade oferecerá 35 encontros, sempre às terças-feiras, com visitas de alguns dos maiores especialistas do assunto no Brasil e no mundo. Neles, serão discutidos artigos científicos, filmes, livros e documentários sobre o universo dos psicodélicos e suas aplicações para a saúde mental.

 

Comunidade Phaneros

Esta semana na Comunidade: uma conversa com Franklin King

Comunidade Phaneros

Para o encontro desta semana na Comunidade Phaneros 2022, o Instituto facilitou a presença de mais um convidado internacional: o médico Franklin King, psiquiatra no Massachusetts General Hospital @massgeneral, e instrutor em psiquiatria na Harvard Medical School @harvardmed.

O Dr. King atua como Diretor de Educação e Treinamento no Centro de Neurociência de Psicodélicos de Harvard, no qual está envolvido em projetos de extensão em educação em psicodélicos e psicoterapias assistidas por psicodélicos (PAPs) para grupos de médicos e residentes. Além disso, participa de um projeto de pesquisa em Psicoterapia Assistida por MDMA para o tratamento de transtorno do estresse pós-traumático em veteranos de guerra, e atua como co-investigador em um estudo envolvendo Psicoterapia Assistida por psilocibina, que em breve será iniciado no Massachusetts General Hospital. 

Ele é mais um dos especialistas formados pelo treinamento em PAP dos nossos colaboradores da @mapsnews. Franklin conheceu o presidente do Instituto Phaneros, o neurocientista Eduardo Schenberg, pessoalmente em fevereiro de 2022, em um encontro em Cambridge, na Inglaterra, para discutir possíveis parcerias.

O encontro faz parte do bloco de estudos chamado “Psicoterapia, Preparação e Integração” da Comunidade, no qual se espera que os membros entrem em contato com as práticas terapêuticas mais estabelecidas e comecem a se aprofundar na interação entre psicodélicos e psicoterapia. Para esse fim, a troca com profissionais que já atuam na área e que têm vivências clínicas se torna um elemento de aprendizagem importante.

Ao longo do ano todo, os participantes irão se familiarizar ainda mais com os cenários da pesquisa psicodélica. Ao todo, serão 35 encontros em 2022, sempre às terças-feiras, com visitas de alguns dos maiores especialistas do assunto no Brasil e no mundo. Neles, serão discutidos artigos científicos, filmes, livros e documentários sobre o universo dos psicodélicos e suas aplicações para a saúde mental.

 

Instituto Phaneros.

Esta semana na FoPAP: o manual de psicoterapia assistida por MDMA

Instituto Phaneros.

Esta semana, os participantes da primeira turma da Formação em Pesquisa com Psicoterapia Assistida por Psicodélicos (FoPAP) vão dar início a uma parte crucial de seus estudos: a leitura de manuais terapêuticos elaborados por centro de pesquisa psicodélica, que orientam a melhores práticas éticas e procedimentais para atender pacientes. A iniciação no tema se dará pela leitura do manual dos nossos colaboradores da @mapsnews, um dos mais respeitados centros de pesquisa do mundo.

Para isso, o encontro desta quinta-feira contará com a participação de dois convidados mais do que especiais: o casal Michael e Annie Mithoefer, que lideraram os estudos clínicos em Fase 2 publicados no passado com MDMA para tratar casos graves de transtorno pós-traumático e lideraram a elaboração do manual terapêutico. Com a experiência de quem acompanhou pacientes e pôde testemunhar o seu avanço (o estudo da MAPS concluiu que o MDMA foi eficaz para dois terços dos voluntários), Michael e Annie vão trocar impressões e aprendizagens com os alunos da FoPAP.

A ideia é que os convidados possam abordar alguns dos aspectos mais importantes de uma sessão de Psicoterapia Assistida por Psicodélicos (PAP): os princípios essenciais, o papel dos terapeutas, o que fazer e o que evitar, a diferença entre esse tipo de tratamento e os métodos tradicionais de psicoterapia, as nuances de acompanhar pacientes sob efeitos de psicodélicos e os detalhes que podem parecer desimportantes, mas que não devem passar despercebidos aos olhos dos terapeutas. A aula será acompanhada por Eduardo Schenberg, presidente do Instituto Phaneros.

A FoPAP oferecerá, ao longo de 18 meses, atividades individuais e em grupo, online e presenciais, incluindo aulas teóricas, apresentação de casos clínicos, role-play, leituras e produção de material intelectual reflexivo sobre aspectos teóricos e práticos da Psicoterapia Assistida por Psicodélicos. O objetivo é capacitar profissionais de saúde que participarão de estudos clínicos e colaborarão com pesquisas científicas sobre o assunto.

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Esta semana na Comunidade: a integração entre terapia e psicodélicos

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Depois de uma breve pausa na semana passada, a Comunidade Phaneros 2022 volta agora com mais um tema essencial. Dessa vez, a discussão será em torno de um artigo científico escolhido pelo grupo no nosso canal exclusivo no Telegram: “Integrating psychotherapy and psychopharmacology: psychedelic-assisted psychotherapy and other combined treatments”, de Kyle T. Greenway, e Nicolas Garel, da Universidade McGill, no Canadá, entre outros.

O trabalho trata-se de uma revisão de centenas de outras publicações lançadas anteriormente que focam na integração entre terapia e psicodélicos. No total, os autores revisaram 239 papers para tentar entender de que maneira a psicoterapia pode interferir (ou intensificar ou auxiliar) no tratamento para distúrbios psiquiátricos feitos com psicodélicos.

A combinação entre psicoterapia e medicalização costuma ser vista com o padrão ouro da psiquiatria, especialmente para tratar dois dos transtornos mais prevalentes do mundo: a depressão e a ansiedade. Nesse contexto, os psicodélicos surgiram como mais uma promissora alternativa a ser prescrita juntamente com o acompanhamento psicológico, na chamada PAP (Psicoterapia Assistida por Psicodélicos). 

Como dizem os autores, ao se voltar para a história dos tratamentos psicodélicos: “Logo depois de sua descoberta, o LSD chamou a atenção de psicanalistas, que estavam profundamente interessados nos processos mentais internos e em conceitos como o ‘ego’. Levar material do inconsciente à consciência de maneira a ser ‘trabalhado’ dentro do consultório é um dos objetivos fundamentais da psicoterapia orientada por insights, e o LSD foi rapidamente visto como um catalisador pela psicanálise”. 

O encontro acontecerá por via online, nesta terça-feira às 20h, e será guiado pelo presidente do Instituto Phaneros, Eduardo Schenberg, PhD. Para as próximas semanas estão programadas visitas internacionais à Comunidade. Fique atento às nossas redes para saber tudo o que estamos organizando por aqui!

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O treinamento que os terapeutas brasileiros irão fazer nos EUA com a MAPS, parceira do Phaneros

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A partir da parceria estabelecida entre o Instituto Phaneros e o centro de pesquisa psicodélica norte-americano @mapsnews, seis brasileiros estiveram semana passada nos EUA para participar do “MDMA Therapy Training Program” (Programa de Treinamento em Terapia com MDMA), da instituição.

O treinamento foi criado pela MAPS em 2012 e, desde então, já formou quase 2 mil profissionais. Com a duração de uma semana, ele aborda o histórico das terapias psicodélicas e dos estados alterados de consciência. Seu foco, no entanto, está na prática terapêutica: o processo, a ambientação, a segurança e as dinâmicas entre cuidadores e pacientes. Em 2021, a MAPS publicou um estudo clínico Fase 3 que mostrou que o MDMA pode ser eficaz em tratar pacientes com estresse pós-traumático grave com grande sucesso em até 67% dos casos, um feito considerado pela revista Science um dos maiores avanços da ciência no mundo em 2021.

O programa inclui aulas expositivas, apresentação de casos clínicos, role play e atividades para a autorreflexão. As aulas são facilitadas por treinadores da instituição, que estimulam a discussão e os processos de aprendizagem. Na edição deste mês, chama a atenção o aumento na diversidade do grupo de alunos – algo que costuma ser criticado nas terapias psicodélicas. Há mais participantes latinos, negros e asiáticos na turma, por exemplo. 

A ideia é que a nova turma possa se tornar em breve supervisora de outros facilitadores especializados em Psicoterapias Assistidas por Psicodélicos (PAPs) no Brasil, especialmente dos 50 participantes da primeira turma da Formação em Pesquisa com Psicoterapia Assistida por Psicodélicos (FoPAP), do Instituto Phaneros, que teve início em fevereiro deste ano. 

Este é o segundo grupo de brasileiros que participa da atividade por meio da parceria entre o Phaneros e a MAPS. Este ano, fazem parte do grupo o diretor do Instituto Phaneros, Thales Caldonazo, a médica Fátima Caldas @fatima_caldas, Ana Paula Caldas, as psicólogas Paula Azem @paulac.azem_psi e Paula Siqueira @ayuremah e o médico Ronaldo Azem @azem.ronaldo.

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Esta semana na FoPAP: hora de assistir aos casos clínicos

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A primeira turma da nossa Formação em Pesquisa com Psicoterapia Assistida por Psicodélicos (FoPAP) segue se aprofundando no mundo da terapia com psicodélicos. Esta semana, os alunos terão a oportunidade de entrar em contato com casos clínicos reais de pesquisas legalmente conduzidas em sessões de Psicoterapia Assistida por Psicodélicos (PAP) no Brasil.

No encontro desta quinta-feira, 7 de abril, a turma irá assistir a uma versão condensada das sessões de PAP feitas aqui no Brasil com dois pacientes vítimas de abusos sexuais na infância, depois tratadas com psicoterapia assistida por MDMA. As gravações fazem parte do estudo clínico realizado pelo Instituto Phaneros em 2018, cujos resultados foram publicados na Revista Brasileira de Psiquiatria em 2020 e renderam também um editorial na mesma revista sobre os psicodélicos na psiquiatria. Cada paciente passa por 40 horas de terapia, por isso a necessidade de editar os vídeos, que também poderão ser acessados pelos alunos na íntegra depois Para garantir a confidencialidade, todo o material será disponibilizado unicamente em ambiente virtual seguro, com acesso restritro e controlado.

Será a primeira vez que a turma terá a oportunidade de assistir a estudos psicodélicos reais – um universo cheio de particularidades e protocolos rigorosos de atendimento. A ideia é que os alunos possam observar todos os aspectos da experiência: o ambiente, a música, os procedimentos, possíveis reações, e o trabalho dos profissionais. A aula dessa semana será conduzida pelo presidente do Instituto Phaneros, e pesquisador principal do estudo de 2018, Eduardo Schenberg.

A FoPAP oferecerá, ao longo de 18 meses, atividades individuais e em grupo, online e presenciais, incluindo aulas teóricas, apresentação de casos clínicos, role-play, leituras e produção de material intelectual reflexivo sobre aspectos teóricos e práticos da Psicoterapia Assistida por Psicodélicos. O objetivo é capacitar profissionais de saúde que participarão de estudos clínicos e colaborarão com pesquisas científicas sobre o assunto.

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Como foi o consumo de psicodélicos no início da pandemia?

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Logo nos primeiros meses do surgimento da Covid-19, quando o mundo ainda não sabia o que esperar dessa nova e perigosa doença, um grupo de cientistas baseado na Alemanha resolveu investigar como andava o consumo de psicodélicos durante esse período. Liderados pelos pesquisadores Ricarda Evans e Simon Reiche, das Universidades Livre e Humboldt de Berlim, os cientistas dispararam um questionário online que foi respondido por mais de 5 mil pessoas, com perguntas sobre consumo de substâncias e estado mental. 

O questionário foi respondido entre abril e agosto de 2020, e as perguntas estavam disponíveis em cinco idiomas: alemão, inglês, espanhol, italiano e coreano. Dos 5049 participantes, 1375 disseram ter usado psicodélicos em 2019 ou 2020. Destes, 46% contaram ter ingerido as substâncias também durante a pandemia. 

Como era de se esperar, o contexto para a ingestão dessas drogas mudou drasticamente antes e depois da Covid-19. Se antes as pessoas usavam psicodélicos por curiosidade, para celebrar ou por que seus amigos também estavam usando, depois da pandemia, a ingestão por tédio se tornou muito mais comum. Isso se deve, é claro, às medidas de restrição de contato e circulação que, especialmente na Alemanha, foram bastante significativas durante os primeiros meses de contágio.

As experiências, por sua vez, foram majoritariamente positivas, mesmo em um ambiente assustador como uma pandemia. De fato, houve um aumento de relatos positivos. Um terço dos usuários disse ter sentido mais amor e compaixão com si mesmos e com os outros, maior solidariedade com o mundo e muitos insights profundos. As duas substâncias mais ingeridas foram o LSD e a psilocibina. 

Para concluir, dois terços dos voluntários disseram que os psicodélicos os ajudaram a lidar melhor com o medo da pandemia. Não é a primeira vez que estudos mostram que essas substâncias ajudam a encarar situações difíceis – como o fim da vida, doenças terminais, traumas – com mais leveza.