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Psilocibina parece ter efeito positivo sobre a criatividade

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Em um estudo recente publicado na revista Translational Psychiatry, um grupo de cientistas da Universidade de Maastricht, na Holanda, demonstrou o efeito do uso da psilocibina, o princípio ativo dos famosos cogumelos mágicos, sobre o pensamento criativo dos participantes. 

Ao longo da história, existem diversos relatos individuais sobre o aumento da criatividade causada por psicodélicos, mas pouquíssimos experimentos controlados haviam sido feitos para testar essa hipótese. 

A pesquisa reforçou a ideia de que existem duas formas de manifestação da cognição criativa: a deliberada e a espontânea. A cognição criativa deliberada aparece quando alguém está focado em realizar um conjunto específico de passos, em uma situação guiada ou cronometrada (como, por exemplo, ao escrever uma redação ou inventar um prato de cozinha profissional.). Ela exige mais atenção do indivíduo, bem como mais racionalização e planejamento. 

Já a cognição criativa espontânea tende a ocorrer quando a atenção está mais desfocada, com pensamentos mais aleatórios, não filtrados – um estado mental supostamente mais semelhante ao estado psicodélico. 

Os dados da pesquisa parecem sugerir que a psilocibina foi capaz de aumentar agudamente o potencial para o pensamento criativo espontâneo, ao mesmo tempo em que diminuiu drasticamente o potencial para a cognição criativa deliberada, pelo menos na fase aguda do efeito da substância.

Atualmente, já se sabe que a criatividade costuma depender de um equilíbrio entre a cognição criativa deliberada e a espontânea e, nesse quesito, a psilocibina parece ter levado ainda mais vantagem. Durante a sessão psicodélica, a psilocibina interrompeu a interação entre essas duas cognições mas, depois de finalizada, esse equilíbrio foi restaurado. Isso se tornou evidente pelo número crescente de novas ideias que os participantes foram capazes de ter, uma semana após a sessão, ainda que quantidade de ideias não necessariamente se traduza em utilidade.

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Revista Time elege tratamento psicodélico como uma das inovações mais importantes do último ano

 

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Em junho de 2021, a revista americana Time resolveu elaborar uma lista bem-humorada chamada “As 10 descobertas mais importantes da área da saúde que você perdeu por causa da pandemia”. Entre descobertas muito surpreendentes – como uma droga que aparentemente é eficaz para tratar obesidade, uma forma revolucionária de impedir que o mosquito Aedes aegypti transmita dengue, e até um embrião quimérico que mistura genes humanos com os de outros grandes primatas – estavam lá também os últimos avanços feitos com psicodélicos. 

O texto da Time:

“No ano passado, os psicoativos começaram realmente a se estabelecer como tratamentos de saúde mental de primeira linha. Em um estudo de abril, publicado no New England Journal of Medicine, 59 pacientes com depressão foram divididos em dois grupos: um recebeu psilocibina (princípio ativos dos cogumelos mágicos); o outro recebeu escitalopram (um inibidor de recaptação de serotonina já utilizado na psiquiatria há anos). Ambos receberam acompanhamento psicoterapêutico com o tratamento. Ao final do período de seis semanas de estudo, as pessoas do grupo da psilocibina tiveram melhor desempenho em uma auto-avaliação do que as que receberam o escitalopram – embora a diferença estatística fosse tímida. 

Em um estudo não relacionado, publicado na Nature Medicine em maio, 90 pessoas que sofriam de transtorno de estresse pós-traumático foram divididas de forma semelhante em dois grupos, um dos quais recebeu três doses de MDMA. O outro recebeu placebo. A conclusão: 67% das pessoas que haviam tomado MDMA não preenchiam mais os critérios para um diagnóstico de trauma, comparado com 32% do grupo de placebo. Múltiplas startups – incluindo Cybin com base no Canadá e Compass Pathway com base no Reino Unido – estão trabalhando para comercializar o uso de psicoativos para fins terapêuticos.”