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Journal Club: aprofundando a Integração Psicodélica

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Nesta semana, o encontro usual da Comunidade Phaneros dará continuidade ao tema da “Integração”. O tópico já foi abordado em um Journal Club no início de setembro, o que rendeu debates riquíssimos e a ideia para uma segunda rodada. Desta vez, os mais de 400 membros  do nosso grupo de estudos sobre psicodélicos decidiram analisar um artigo que aborda a integração a partir da perspectiva do Internal Family Systems (IFS, ou Sistema Familiares Internos, em tradução livre).

Esse modelo de psicoterapia foi criado pelo norte-americano Richard Schwartz e trabalha as diferentes partes do sujeito a partir de uma coordenação central de um Self com características bem definidas. A proposta é estabelecer diálogos e conciliações entre partes cindidas e exiladas, com partes protetoras, de forma harmônica, de maneira que todas atendam suas necessidades sem “monopolizar” a psique.

Para contribuir nessa conversa  sobre  IFS e Psicoterapia Assistida por Psicodélicos, teremos conosco Karin Grunwald e Antônio Pedro Goulart, facilitadores de respiração holotrópica e especialistas em Internal Family Systems. Os espectadores certamente sairão com novos insights e terão a oportunidade de tirar dúvidas diretamente com os convidados, que têm vasta  experiência na integração de vivências com estados não-ordinários de consciência. 

Ficou interessado em participar das discussões incríveis da nossa comunidade? Então fique atento para o próximo período de inscrições!

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Um curso para futuros pesquisadores de psicodélicos

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A saúde mental promete ser o grande desafio do século XXI. Juntamente com a pandemia de Covid-19, estamos vivendo também uma proliferação de casos de transtornos mentais – principalmente de ansiedade, depressão e estresse pós-traumático. No Brasil, onde o vírus se alastrou de forma implacável, não é diferente. Não há quem tenha passado pelos últimos dois anos incólume – seja por medo da doença, pelo luto de uma pessoa querida, por dificuldades financeiras.

Dentro desse contexto, cresce a necessidade de novos tratamentos psiquiátricos eficazes e seguros – algo que os psicodélicos parecem estar prometendo. As pesquisas na área são bastante animadoras mas, junto com elas, surge também a demanda por profissionais qualificados para conduzi-las e acompanhar as Psicoterapias Assistidas por Psicodélicos (PAP).

Ao redor do mundo, a ideia de cursos de que formam pesquisadores especializados em PAP não é nova. Nossos parceiros da @mapsnews, por exemplo, são pioneiros no assunto. Mas há também formações organizadas pela @mind_europe, a @fluencetraining e o Usona Institute – que também colaboram com o Phaneros. 

Felizmente, o Brasil é um dos países que está desenvolvendo estudos próprios na área – com participação, inclusive, do diretor do Instituto Phaneros, Eduardo Schenberg, PhD. Para que os estudos possam continuar sendo desenvolvidos por aqui, é crucial que o país também possa contar com pesquisadores formados na área. 

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Como será o mundo do trabalho psicodélico?

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Reunião atrás de reunião, corrida por resultados, horas no trânsito, mensagens de Whatsapp no fim de semana. O ritmo do trabalho moderno é implacável: raramente se restringe aos horários combinados e contamina a vida pessoal, os dias de descanso, as horas de lazer. Dentro desse contexto, como ficaria o mundo profissional, se os psicodélicos se tornarem populares e de fácil acesso?

Foi esse o questionamento que a revista Rolling Stone fez em um artigo publicado no começo de outubro de 2021. A verdade é: a maneira como o trabalho está organizado não combina com o ritmo introspectivo, criativo, antissistema dos psicodélicos.

Por enquanto, o capitalismo vem cooptando os tratamentos. O número de empresas que vêm sendo criadas para desenvolver medicamentos, oferecer terapias alternativas, conduzir pesquisas, organizar viagens para comunidades indígenas e fornecer serviços legais relacionados aos psicodélicos não para de crescer. Ironicamente, todas elas funcionam da forma tradicional: com metas, jornadas estafantes, empresários esgotados. Isso, por si só, contradiz a própria natureza de uma viagem psicodélica, geralmente feita quando se tem tempo, dedicação e repouso.

Outro fator importante a ser observado nessa nova indústria é a forma como eles se afastam da história e da origem dos psicodélicos. Muitas das substâncias que estão virando moda nos EUA e na Europa – como a ayahuasca, os cogumelos mágicos, o peyote – vêm de sociedades indígenas não-brancas, não-capitalistas, que as utilizam dentro de experiências ritualísticas e religiosas. Nada mais distante de uma startup do Vale do Silício, digamos. 

“Inserir essas substâncias no mercado que está nascendo vai exigir muita decolonização dos líderes dessas empresas”, disse à Rolling Stone Charlotte James, co-fundadora do @​​theancestorproject, que conscientiza pessoas pretas e pardas sobre a medicina baseada em plantas. “Essa nova ‘indústria’ não vai poder ser uma ‘indústria’ como as conhecemos atualmente. Em vez disso, será uma rede de co-criação que atravessa diversos ambientes e comunidades”, ela conclui.

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Em que pé anda a pesquisa psicodélica na Alemanha?

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A Deutsche Welle, o conglomerado de mídia público do governo alemão, lançou no começo de outubro de 2021 uma grande reportagem relatando o status atual da ciência psicodélica no país.  

Além de descrever o momento inspirador pelo qual as pesquisas com alucinógenos estão passando no mundo inteiro, o artigo destaca as particularidades da Alemanha, especialmente uma pesquisa que está sendo conduzida no Zentralinstitut für Seelische Gesundheit (Instituto Central de Saúde Mental), na cidade de Mannheim. Por lá, pacientes diagnosticados com casos graves de depressão – resistentes aos tratamentos convencionais – estão recebendo doses de psilocibina (o princípio ativo dos cogumelos mágicos) dentro de um contexto de Psicoterapia Assistida por Psicodélicos (PAP). Um total de 144 voluntários já passaram pela experiência, e a lista de espera é imensa.

De acordo com o orientador do estudo, Gerhard Gründer, a parte mais difícil da iniciativa foi encontrar a substância por vias oficiais. De fato, são pouquíssimos os fornecedores de substâncias psicodélicas destinadas à pesquisa no mundo: ou seja, que foram produzidos seguindo rigorosos controles farmacêuticos de qualidade. Para além disso, a Alemanha também é notoriamente exigente em seus processos regulatórios. Ainda assim, graças ao alto número de participantes para uma pesquisa psicodélica, Gründer espera encontrar resultados estatisticamente significativos. 

A reportagem também dá destaque ao evento organizado pelos nossos parceiros da @mind_europe, a Insight Conference, que aconteceu em setembro. Uma iniciativa dessa magnitude, com quatro dias de atividades e centenas de participantes, mostra que o debate avançou dentro da maior economia da Europa. A Mind Foundation, por exemplo, tem o registro de 130 empresas que atuam no setor, “desde um retiro à base de psilocibina, A Whole New High, na Holanda; até a Wavepaths, especialista no som perfeito para acompanhar a trip nos fones de ouvido”, de acordo com a Deutsche Welle.

 

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Setembro amarelo e a urgência de novos tratamentos psiquiátricos

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(Aviso de gatilho: neste texto serão discutidos dados sobre suicídio.)

O mês de setembro já está quase chegando ao fim, mas ainda dá tempo de lembrar da importância da campanha organizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria, o Setembro Amarelo, pela prevenção ao suicídio. O suicídio é uma das principais causa de morte no mundo, e vitimiza todos os anos 700 mil pessoas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, são quase 13 mil casos anualmente. 

Mas ele não afeta todas as pessoas da mesma forma. A OMS ressalta que, no mundo todo, três entre quatro pessoas que tiram a própria vida moram em países de renda baixa e média – ou seja, existe uma importante correlação com fatores sócio-econômicos, exposição à violência, instabilidade financeira, abuso de substâncias, entre outros. 

O problema se agrava principalmente nas pessoas mais vulneráveis da sociedade – resultantes de todas as intersecções possíveis. No Brasil, por exemplo, a taxa de suicídios é desproporcionalmente alta em comunidades indígenas: três vezes maior do que no resto da população. Outra minoria especialmente afetada são pessoas com deficiência. Um boletim do Ministério da Saúde mostrou que, entre 2011 e 2016, 25,5% das mulheres que tentaram suicídio, e 27,7% dos homens possuíam algum tipo de deficiência ou transtorno

Em todos os contextos, quase a totalidade das mortes (cerca de 98%) acontece em pessoas que sofrem de um ou mais transtornos mentais. Por isso, a discussão da prevenção ao suicídio passa invariavelmente pelos tratamentos psiquiátricos. Muitos dos remédios disponíveis atualmente são pouco eficientes para tratar pessoas com depressão grave, por exemplo. Nesse cenário, terapias psicodélicas seguras se tornam mais urgentes do que nunca. (O que não quer dizer, é claro, que os psicodélicos serão a cura mágica para esse imenso problema epidemiológico – diz apenas que não podemos nos dar ao luxo de dispensar um promissor caminho para novos tratamentos.)

Nos próximos meses, o Instituto Phaneros deverá lançar sua nova Formação em Pesquisa em Psicoterapia Assistida por Psicodélicos. Fique ligado nas nossas redes para não perder mais informações!

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Como as psicanálises de Lacan e Ferenczi podem colaborar com as terapias psicodélicas

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A psicanálise é uma das vertentes terapêuticas mais importantes do mundo e da história ocidental dos cuidados em saúde mental. Desenvolvida na Áustria por Sigmund Freud, com o passar dos anos, ela foi se remodelando em diversas escolas de psicoterapia fundadas por psicanalistas, cada uma com inovações técnicas e teóricas. 

Assim como os ramos que saem de um tronco principal, essas escolas traziam semelhanças, mas também diferenças da psicanálise freudiana. Cada derivação, pode contribuir para o entendimento de certos aspectos da personalidade humana e da experiência psicodélica, como as imagens, os processos somáticos, o setting terapêutico, entre outros. 

Nesta semana na Comunidade Phaneros, teremos os colegas Eduardo Moreira e Paulo Pimentel apresentando, respectivamente, um pouco da obra de Lacan e Ferenczi e suas contribuições para o entendimento da Psicoterapia Assistida por Psicodélicos. 

Este será o segundo encontro da Comunidade sobre psicanálises, embora já tenhamos recebido colegas especialistas em  Psicologia Analítica, Terapias Comportamentais, Esquizoanálise, Abordagem Centrada na Pessoa, Fenomenologia e outros.

A Comunidade Phaneros é um grupo de estudos sobre psicodélicos formado por mais de 400 profissionais. Temos encontros semanais com apresentações, leitura de artigos científicos, convidados e muito mais.

Se você deseja fazer parte da Comunidade Phaneros, acompanhe a página e fique atento para o próximo período de inscrições!

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Pelo direito de tratamentos experimentais para transtornos mentais

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Desde a pandemia de HIV, que assolou o mundo na década de 1980 e 1990, tornou-se praxe disponibilizar tratamentos e remédios experimentais (que ainda não foram totalmente aprovados pelas agências regulatórias) para pacientes em estado grave. Então por que a medicina não está fazendo o mesmo agora, autorizando terapias psicodélicas promissoras para pacientes com transtornos mentais? É isso o que defende um artigo publicado em julho de 2021, na Frontiers in Psychiatry, por Morgan Campbell, do departamento de psiquiatria do Delaware Division of Substance Abuse and Mental Health, e Monnica Williams, da Universidade de Ottawa.

Os autores argumentam que os pacientes de doenças mentais não são tratados da mesma forma que pacientes com outros males, como câncer ou doenças infecciosas. Para eles, não há justificativa ética para essa diferenciação. Se substâncias psicodélicas vêm mostrando resultados promissores em estudos ao redor do mundo, porque não podem ser ministradas para pessoas em estado grave de, digamos, depressão, ansiedade ou estresse pós-traumático?

Essa discussão se torna ainda mais importante no contexto atual. Como se sabe, juntamente com uma pandemia de Covid-19, o mundo está passando por desafios crescentes em saúde mental, oriundos do medo de adoecer, da insegurança econômica e do isolamento social. Segundo os autores, o número de americanos que reportaram sofrer de ansiedade e depressão saltou de 10% a 40% no último ano. Como justificar o não tratamento dessas pessoas?

O artigo relembra o caso do ativista Larry Kramer que, em 1988, depois de ver diversos amigos sucumbirem à Aids, denunciou o governo e as agências regulatórias americanas de estarem contribuindo para o aumento de mortes, ao negar o acesso de terapias novas aos pacientes com HIV. Para os autores, os argumentos incisivos de Kramer são válidos agora também, especialmente um: “Estamos no meio de uma p**** de uma peste!”, dizia ele. Quanto mais podemos esperar?

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Esquizoanálise e Psicoterapia com Psicodélicos

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A esquizoanálise é uma abordagem terapêutica que surgiu a partir da produção conjunta do psicanalista Félix Guattarri e do filósofo Gilles Deleuze. Essa abordagem – que também é vista como um campo de saberes mais amplo, atravessando arte, filosofia e antropologia – tem ao mesmo tempo semelhanças e distanciamentos importantes da teoria psicanalítica, sua principal influência.

Na medida que os estudos clínicos com psicodélicos avançam, mais profissionais de formação esquizoanalítica têm se interessado pelo tema, certamente com muito a contribuir, principalmente com seu olhar diferenciado para o corpo, para as artes e para a importância do coletivo, com suas implicações políticas e comunitárias.

Nesta quinta-feira, na Comunidade Phaneros, teremos uma aula sobre Esquizoanálise e seus possíveis diálogos com a Psicoterapia Assistida por Psicodélicos. A aula será apresentada por três colegas – Alexander Ruas, Vinicius Corrêa e Isabella Cassane – que integram o grupo, juntamente com mais de 400 pessoas interessadas em estudar os psicodélicos de forma séria e aprofundada.

A Comunidade Phaneros é um grupo de estudos com encontros semanais sobre temas ligados a psicodélicos e com abertura de pensamento para as diversas escolas de psicoterapia. Em encontros anteriores já tivemos apresentações sobre Psicologia Analítica, Psicanálises, Comportamentais e Abordagem Centrada na Pessoa. Muitas outras abordagens ainda estão por vir.

Se você se interessa pelo tema e gostaria de pertencer a este ambiente de trocas de conhecimento, acompanhe a nossa página e não perca o próximo período de inscrições!

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O poder dos arquétipos na Psicoterapia Assistida por Psicodélicos

psicoterapia phanerosO conceito de arquétipos se popularizou no século XX, graças ao trabalho do suíço Carl Gustav Jung. Jung foi um psiquiatra e psicanalista discípulo de Sigmund Freud, que fundou sua própria abordagem, a Psicologia Analítica. A palavra é formada pelos radicais “arché” e “tipós”, que significam respectivamente “princípio/primordial” e “tipo/marca”. Assim, o arquétipo seria uma espécie de “modelo ou forma primordial”.

Ao observar o simbolismo presente nas narrativas, fantasias e sonhos dos pacientes, Jung notou que havia neles uma semelhança estrutural com mitos e narrativas de outros povos e etnias do planeta. Embora seus pacientes não tivessem contato direto ou conhecimento sobre os outros povos, curiosamente, histórias semelhantes se revelavam nas suas psiques.

Jung dizia que os arquétipos são a tendência que temos de formar representações de temas importantes. Embora essas representações apresentem diferenças nos detalhes, há um padrão básico que se mantém nos temas, tais como nascimento, morte, maternidade etc.

Na Psicoterapia Assistida por Psicodélicos, frequentemente os pacientes vivenciam imagens e processos arquetípicos. Portanto, ainda que a PAP não se restrinja apenas a profissionais da psicologia analítica, esse conhecimento é valioso para os terapeutas, principalmente nas sessões de integração.

Você é um terapeuta interessado em Psicoterapia Assistida por Psicodélicos? Então faça parte da nossa Comunidade!