Paula Siqueira

Esta semana na Comunidade: uma conversa sobre não-integração

Paula Siqueira

A convidada desta semana na Comunidade Phaneros 2022 é a psicóloga brasileira Paula Siqueira. Especializada em Psicologia Analítica, escola desenvolvida pelo austríaco Carl Jung, ela também oferece terapias integrativas baseadas nas medicinas orientais do Ayurveda, Siddha e Taoismo. 

Para a  conversa com a Comunidade, porém, ela vai abordar outro aspecto de sua experiência: seu interesse na cultura psicodélica, em especial a ayahuasqueira do Brasil e da cultura mazateca do México. Paula é certificada pelo California Institute of Integral Studies (CIIS) em psicoterapia assistida por psicodélicos (PAP) e está fazendo a formação da MAPS em terapia assistida por MDMA. Junto ao Instituto Phaneros, ela faz parte do grupo de médicos, cientistas e terapeutas que conduzirão as próximas pesquisas com MDMA e psilocibina no Brasil.

Para dar o pontapé inicial no debate, os alunos irão assistir o curta-metragem “Evocando Ori” (2022), de autoria da própria psicóloga, que aborda as experiências psicodélicas por um viés de não-integração. No vídeo, a protagonista vive uma procura intensa por uma conexão com o seu mundo espiritual, de autoconhecimento – ao mesmo tempo em que resiste às mudanças possivelmente dolorosas que esse processo traz consigo. “Ori” é uma palavra de matriz africana, de origem Yorubá, que significa literalmente “cabeça”, mas que é também um conceito metafísico: a intuição espiritual e o destino de uma pessoa

Como material de apoio, o grupo também irá ler o trabalho de pesquisa de Paula, de mesmo nome. A ideia é que os alunos possam aprender e trocar com as experiências da psicóloga e que possam debater o que acontece quando as experiências psicodélicas não são integradas. 

Ao longo do ano, a Comunidade oferecerá 35 encontros, sempre às terças-feiras, com visitas de alguns dos maiores especialistas do assunto no Brasil e no mundo. Neles, serão discutidos artigos científicos, filmes, livros e documentários sobre o universo dos psicodélicos e suas aplicações para a saúde mental.

instituto phaneros

Novo artigo de Eduardo Schenberg debate direitos indígenas na Renascença Psicodélica

instituto phaneros

Acaba de ser publicado na revista Transcultural Psychiatry um novo artigo do diretor do Instituto Phaneros, Eduardo Schenberg, juntamente com o advogado Konstantin Gerber. “Superando as injustiças epistêmicas no estudo biomédico da ayahuasca: rumo a uma regulamentação ética e sustentável” discorre sobre um aspecto ainda pouco explorado na Revolução Psicodélica: o valor dos conhecimentos indígenas, que usam psicodélicos há milhares de anos, sobre o desenvolvimento de pesquisas, remédios e tratamentos com essas substâncias.

As tais “injustiças epistêmicas” dizem respeito à maneira como cientistas costumam tratar os povos tradicionais: como se não fossem capazes de criar e compartilhar conhecimentos válidos. Será que o conhecimento só pode ser alcançado por meio de testes duplo cegos, teorias moleculares e avaliações estatísticas de segurança? Tudo o que os povos indígenas brasileiros, peruanos e colombianos – que utilizam a ayahuasca em seus rituais e como plantas de cura – sabem sobre o chá alucinógeno deve ser jogado fora?

O artigo também propõe que novas regulações relativas à ayahuasca passem pelo consentimento e controle das sociedades indígenas. Isso é especialmente importante para evitar, por exemplo, que grandes farmacêuticas internacionais consigam isolar e patentear alguma molécula da ayahuasca a fim de lucrar com ela. 

Segundo a Convenção Sobre a Diversidade Biológica das Nações Unidas, em casos assim, os povos tradicionais também devem ser recompensados com o lucro oriundo dos novos tratamentos. No caso da ayahuasca isso se torna ainda mais evidente uma vez que o chá é elaborado a partir de uma mistura de plantas originárias da Amazônia. Quem foi, afinal, que teve a ideia para essa receita e continuamente ensina o mundo inteiro a prepará-la e usá-la?

“Povos indígenas têm o direito de manter, controlar, proteger e desenvolver sua herança biocultural, seu conhecimento tradicional e suas expressões culturais, incluindo práticas médicas”, escreveram Eduardo e Konstantin, ambos doutores por renomadas universidades brasileiras, o primeiro em neurociência e o segundo em direito.

instituto phaneros

Esta semana na Comunidade: Dra. Nicole Leite Galvão-Coelho

instituto phaneros

Nesta semana, a Comunidade Phaneros receberá mais uma convidada incrível! 

Desta vez, será a Dra. Nicole Leite Galvão-Coelho, professora adjunta do Departamento de Fisiologia e Comportamento da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e do NICM Health Research Institute, da Western Sydney University, na Austrália. O encontro havia sido planejado para setembro, mas precisou ser adiado e finalmente acontecerá nesta quinta-feira. 

Nos últimos anos, a pesquisadora vem se dedicando ao estudo de tratamentos complementares (como terapias de corpo-mente) e alternativos (como o uso de psicodélicos) para transtornos de humor. Um de seus focos de estudo é o potencial antidepressivo da ayahuasca, o chá psicodélico de origem amazônica. 

Autora de diversos artigos científicos, a Dra. Nicole irá apresentar um pouco das suas pesquisas com ayahuasca, um tema cada vez mais relevante para o Brasil e o mundo. A procura por tratamentos e experiências com esse preparado vêm crescendo nos últimos anos, com cada vez mais pacientes chegando aos consultórios com essa demanda. Nesse sentido, é também crescente o interesse da ciência em procurar evidências sobre os benefícios da ayahuasca para a saúde mental.

A Comunidade Phaneros é um grupo de estudos com encontros semanais, no qual os mais de 400 membros têm acesso a sessões com convidados especiais, filmes, livros e artigos ligados aos psicodélicos. 

Se você também se interessa pelo assunto e pretende ter acesso direto a pesquisadores de ponta, podendo interagir e fazer perguntas ao vivo, acompanhe a nossa página e aguarde o próximo período de inscrições!

instituto phaneros

Novo instituto psicodélico na Austrália quer fazer pesquisas com ayahuasca

instituto phaneros

Mais um centro de pesquisa psicodélica está abrindo as portas. Dessa vez, do outro lado do mundo, em Melbourne, na Austrália. O Psychae Institute, que promete ser um polo de colaboração entre cientistas de todos os continentes, recebeu US$ 40 milhões de uma biotech americana que preferiu não ser identificada. Além de elaborar pesquisas com psilocibina (princípio ativo dos cogumelos mágicos) e MDMA, o Psychae Institute pretende conduzir testes com DMT (psicodélico presente no amazônico chá de ayahuasca). 

A Austrália permite que se faça pesquisa científica sem aprovação oficial, apenas com notificações regulatórias e a autorização de um comitê de ética. Entre os colaboradores do instituto está o renomado professor David Nutt, do Imperial College London. Eles esperam também trabalhar em conjunto com estudos clínicos sendo feitos no Reino Unido, no Canadá, na Europa e no Brasil. “Esperamos que a colaboração entre pesquisadores psicodélicos de ponta acelere os nossos processos”, disse ao jornal The Age o professor Daniel Perkins, da Swinburne University, co-diretor da Psychae.

Juntamente com o outro co-diretor do instituto, Jerome Sarris, Perkins é o autor de um artigo que indica que o uso de ayahuasca pode estar associado a uma queda no abuso de álcool e outras drogas, em uma pesquisa que foi liderada pela Universidade de Melbourne. Daí o interesse em elaborar um estudo clínico com DMT.

De acordo com Daniel Perkins, muitas pessoas sofrendo de transtornos mentais estão recorrendo à automedicação com psicodélicos, o que pode ser perigoso. Outra tendência, segundo ele, é viajar para regiões amazônicas para participar de rituais locais com ayahuasca. Dentro desse contexto, mais um centro que promete conduzir pesquisas com todo rigor científico, é sempre bem-vindo.

instituto phaneros

Essa semana na Comunidade: uma conversa com Leor Roseman, PhD

instituto phaneros

A ayahuasca e os psicodélicos podem ajudar na mediação de conflitos e no desenvolvimento de uma cultura de paz? Essa é uma das perguntas norteadoras da pesquisa mais recente do Dr. Leor Roseman, nosso convidado da semana na Comunidade Phaneros.

Antes de focar na ayahuasca, o  pesquisador do Imperial College London já havia se  dedicado a estudar correlatos neurais da experiência psicodélica, aplicações terapêuticas da psilocibina para depressão e os potenciais psicossociais dos psicodélicos. Formado em Tel-Aviv, em Israel, Roseman investiga atualmente o potencial da ayahuasca em cerimônias que reúnem palestinos e israelenses.

Nesta semana na Comunidade Phaneros, teremos a presença do Dr. Leor Roseman, que apresentará um pouco do seu trabalho. Ele também estará disponível para interagir com os membros da Comunidade e responder perguntas ao vivo.

A Comunidade Phaneros é um grupo de estudos que já reúne mais de 400 membros interessados em psicodélicos e saúde mental. O grupo se reúne semanalmente para dialogar com convidados especiais, como nesta semana – mas também para aprofundar o aprendizado por meio  de livros, filmes e artigos científicos.

Se você quer saber mais sobre o assunto e participar da Comunidade Phaneros, acompanhe nossa página e aguarde o próximo período de inscrições! 

instituto phaneros

Psicodélicos e conhecimentos indígenas

instituto phaneros

Um longo artigo publicado no Truffle Report, @truffle_report, um portal dedicado a notícias que envolvem o mundo dos psicodélicos, deu destaque ao trabalho e aos pensamentos do diretor do Instituto Phanero, Eduardo Schenberg, PhD. O assunto? A história indissociável de psicodélicos como a ayahuasca e os cogumelos mágicos de seus lugares de origem: as sociedades indígenas e seus saberes tradicionais.

O texto dá destaque a um artigo publicado por Schenberg e o advogado Konstantin Gerber @konstantingerberadvocacia na revista Transcultural Psychiatry, sobre “injustiças epistêmicas” – quando uma pessoa ou um certo grupo de pessoas são vistos como incapazes de criar e compartilhar seus próprios conhecimentos. 

Em um certo sentido, é o que aconteceu com substâncias psicodélicas. Séculos antes de exploradores e cientistas ocidentais entrarem em contato com essas plantas, comunidades inteiras já se beneficiavam de seus efeitos – criando, inclusive, sistemas complexos e essenciais para o seu uso, com contextos comunitários e ritualísticos. No entanto, a partir do momento em que cientistas brancos levaram essas substâncias para os laboratórios, eles focaram apenas nos compostos químicos e descartaram os outros fatores e conhecimentos dos povos tradicionais.

Esse desdém pelo conhecimento que vem do outro é ligado ao perfil das pessoas que o produzem. “Está diretamente conectado a raça. Assume-se que sociedades tradicionais não saibam o que sabem porque são burras, indígenas, negras, consideradas ‘primitivas ou selvagens'”, disse Eduardo ao Truffle Report. 

Esse é também o cerne do artigo de Schenberg e Gerber. “Povos indígenas têm o direito de manter, controlar, proteger e desenvolver sua herança biocultural, seu conhecimento tradicional e suas expressões culturais, incluindo práticas médicas”, escreveram eles. 

Importante considerar ainda que nesse processo os próprios cientistas perdem conhecimento relevante, como por exemplo o descaso com a variedade botânica e de métodos de preparo da ayahuasca, totalmente ignorados na literatura científica. 

instituto phaneros

Esta semana na Comunidade: Dra. Nicole Galvão-Coelho

instituto phaneros

Nesta semana a Comunidade Phaneros receberá mais uma convidada incrível! Desta vez será a Dra. Nicole Leite Galvão-Coelho, professora adjunta do Departamento de Fisiologia & Comportamento (UFRN), NICM Health Research Institute (Western Sydney University). A pesquisadora vem se dedicando ao estudo de tratamentos complementares (terapias corpo-mente) e alternativos (psicodélicos) para transtornos de humor, com foco no potencial antidepressivo da ayahuasca.

Autora de diversos artigos científicos, irá apresentar um pouco das suas pesquisas com ayahuasca, um tema cada vez mais relevante no Brasil e no mundo. Mais e mais pessoas têm buscado essa experiência, mais pacientes têm chegado ao consultório com esta demanda e a ciência tem evidenciado os benefícios da ayahuasca para a saúde mental.

A Comunidade Phaneros é um grupo de estudos com encontros semanais, onde os mais de 400 membros têm acesso a sessões com convidados especiais, filmes, livros e artigos ligados aos psicodélicos. 

Se você também se interessa pelo assunto e pretende ter acesso direto a pesquisadores de ponta, podendo interagir e fazer perguntas ao vivo, acompanhe a nossa página e aguarde o próximo período de inscrições!

Instituto Phaneros

O poder dos rituais comunitários

Instituto Phaneros

Povos indígenas da região amazônica têm o chá do cipó ayahuasca. Os do México e dos EUA têm o cacto peiote. Já povos tradicionais da África do Sul e do Zimbábue, os Xhosa, usam a raiz de uma pequenina flor branca. Incontáveis são os registros de sociedades que descobriram – e consomem em contexto ritualístico – plantas com propriedades psicodélicas, as chamadas “plantas de poder”. 

Seus usos são milenares, de origens ainda incertas, e ajudaram a moldar as culturas nas quais estão inseridas. E só agora, depois de tanto tempo, ganharam o interesse da ciência ocidental, que tenta descobrir quais os benefícios de consumir psicodélicos nesses contextos comunitários.  

O artigo mais recente foi publicado na prestigiosa revista científica PNAS em março de 2021, no qual pesquisadores da Universidade de Yale, nos EUA, estudaram os efeitos dos psicodélicos em 1200 voluntários que participaram de rituais e retiros de seis dias em festivais de música e arte nos EUA e no Reino Unido – contextos certamente bastante diferentes dos rituais chamados de “tradicionais”.

Os pesquisadores confirmam, mais uma vez, que o uso dessas substâncias em rituais coletivos pode ter impactos positivos na saúde mental e na sensação de pertencimento e conexão com os outros, além de aumentar o bom humor e propiciar experiências transformadoras. Os voluntários também relataram uma profunda transformação pessoal, além de alterações em seus valores morais.

Isso aponta para a possibilidade de psicodélicos serem usados como ferramentas para a reintegração de um mundo que se dilacera em radicalizações, sofrimento e isolamento social. Ainda assim, é preciso cuidado: muitas pessoas não devem usar essas substâncias, como aqueles com histórico de psicose, esquizofrenia e problemas cardiovasculares, entre outros. Além disso, é bom lembrar que essas substâncias são extremamente potentes e que seu consumo desenfreado pode trazer riscos – coisas que os povos originários, que os usam de forma controlada e supervisionada, já sabem há muito tempo.

Instituto Phaneros

A globalização da ayahuasca e o egocentrismo

Instituto Phaneros

Há duas ou três décadas, a palavra “ayahuasca” era praticamente desconhecida fora do território amazônico. Esse termo indígena, de origem quíchua, é comumente traduzido como “cipó das almas” e designa um tipo de planta trepadeira e também as bebidas feitas com esse cipó e outras plantas. 

Hoje, no entanto, a situação mudou. As bebidas e os rituais ganharam o mundo, em cerimônias importadas (e pastichizadas) para dezenas de países, ainda que a substância continue sendo ilegal em muitos deles. Durante esse processo de globalização da ayahuasca, as crenças, saberes e vivências atreladas a ela foram se modificando, ao ponto em que se tornou dificílimo reconhecer nessa nova moda o que seria, verdadeiramente, uma “prática ancestral tradicional”.

Em um artigo publicado em março de 2021 na revista Current Anthropology, os pesquisadores Alex Gearin e Oscar Saez resolveram investigar as transformações desses rituais. Para isso, analisaram  cerimônias praticadas na Austrália e chegaram à conclusão de que elas poderiam muito bem ter ocorrido em diversos outros locais do mundo, uma vez que as interpretações e os discursos sobre a ayahuasca encontrados por lá vieram de uma noção europeia de individualidade, que conflita com vivências e noções ameríndias amazônicas. Nas cerimônias da floresta, a noção de “eu” está profundamente associada ao coletivo, e é enraizada naquele povo específico.

Os autores sugerem que as interpretações globalizadas das vivências com ayahuasca são centradas demais nos indivíduos, trazendo apenas as visões que as pessoas têm de si mesmas.

Conforme se aprofunda a crise do antropoceno e aumenta o número de pessoas buscando na ayahuasca o alívio para “seus” males, cabe a todos refletirmos sobre o papel da individualidade, do egoísmo e egocentrismo excessivos, tanto nas nossas crises, como em suas possíveis resoluções.

Instituto Phaneros

Até quando é ruim, a ayahuasca pode fazer bem

Instituto Phaneros

Povos indígenas já conhecem há séculos os efeitos do famoso chá de cipó, usado tradicionalmente em cerimônias comunitárias e com atribuições ritualísticas. Os seguidores da religião do Santo Daime também se utilizam do preparado desde o início do século XX. Nos últimos anos, no entanto, a ayahuasca tem se espalhado pelas mais distintas regiões do planeta, onde vem sendo consumida por curiosos e pessoas sem contextualização prévia, interessadas apenas nas experiências psicodélicas.

Em março de 2021, um grupo de cientistas espanhóis e brasileiros publicou um artigo no Journal of Clinical Psychopharmacology que analisou os efeitos do chá em 40 participantes que o ingeriram pela primeira vez na vida. Destes, sete participantes relataram ter sentido reações psicológicas agudas e desafiadoras. Os cientistas estavam interessados em entender se pessoas que sentem efeitos desagradáveis ficariam com a mesma impressão meses depois.

Quatro dos sete entrevistados pelo grupo já apresentavam algum tipo de transtorno psiquiátrico antes da cerimônia. Dois deles relataram não sentir mais os males depois da experiência e os outros dois perceberam uma redução considerável dos seus sintomas. Esses efeitos positivos puderam ser sentidos até seis meses depois da ingestão da ayahuasca. Para os participantes, boa parte das reações negativas que sentiram ao longo da cerimônia se deu pelas condições  desfavoráveis do ritual, como mediação inapropriada ou falta de explicações. 

Com esses resultados em mãos, os pesquisadores sugerem que a ayahuasca possa apresentar efeitos positivos para as pessoas com transtornos mentais, mesmo entre alguns que tiveram experiências aversivas e desagradáveis com o cipó. O pequeníssimo número de participantes do estudo, porém, indica que ainda serão necessários muitas outras investigações sobre o assunto. O que a pesquisa mostra, no entanto, é que séculos de conhecimentos ancestrais nem sempre podem ser replicados em eventos amadores ao redor do mundo com facilidade.