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Esta semana na FoPAP: refinando as playlists

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Esta semana, a turma da Formação em Pesquisa com Psicoterapia Assistida por Psicodélicos (FoPAP) dará continuidade à atividade iniciada no encontro da semana passada: a criação de uma playlist para acompanhar uma sessão de Psicoterapia Assistida por psicodélicos. 

Na aula desta quinta-feira, 24/03, Eduardo Schenberg, PhD, neurocientista, e Thales Caldonazo, físico e psicólogo, vão receber os trabalhos iniciais dos alunos, que serão então ouvidos e discutidos em grupo. A ideia é que a própria turma pondere e sugira melhorias ao trabalho, em uma construção coletiva. O objetivo é que cada participante termine o módulo de música com uma playlist de 8 horas finalizada.

Saber calibrar a ordem e a intensidade das músicas para que conversem com o ponto da experiência psicodélica é o desafio encontrado na hora de desenvolver playlists para esse fim. 

A música é parte crucial de uma sessão de PAP – tanto que alguns especialistas a chamam de “o terapeuta oculto” da ciência psicodélica. 

A trilha sonora pode influenciar o clima da experiência, estimular memórias nos pacientes e até mesmo ter impactos sobre a eficácia dos tratamentos. No geral, preza-se que a trilha sonora seja mais ou menos uniforme para todos os participantes de uma pesquisa, embora os pacientes possam pedir para incluir músicas que sejam relevantes para o seu desenvolvimento como pessoa ou que tenham marcado momentos de suas vidas.

A FoPAP oferecerá, ao longo de 18 a 24 meses, atividades individuais e em grupo, online e presenciais, incluindo aulas teóricas, apresentação de casos clínicos, role-play, leituras e produção de material intelectual reflexivo sobre aspectos teóricos e práticos da Psicoterapia Assistida por Psicodélicos. O objetivo é capacitar profissionais de saúde que participarão de estudos clínicos e colaborarão com pesquisas científicas sobre o assunto.

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Canadá flexibiliza acesso a tratamentos psicodélicos

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Nos últimos anos, alguns países ao redor do mundo vêm flexibilizando suas proibições aos psicodélicos. Em 2020, foi a vez do Canadá, que autorizou que pacientes diagnosticados com doenças terminais pudessem ter acesso à psilocibina – o princípio ativo dos cogumelos mágicos – para lidar com a angústia e o medo do final da vida. Ainda assim, o acesso continuou limitado e, até o final de 2021, apenas 55 canadenses haviam obtido a permissão para ingerir a substância, acompanhados por seus médicos e clínicas especializadas.

Agora, uma emenda à legislação federal flexibilizou o acesso a esse pedido. A partir de agora, todos os médicos poderão pedir a autorização para seus pacientes com doenças graves ou com risco de morte, desde que as terapias tradicionais tenham falhado ou sido insuficientes. Isso inclui substâncias como a psilocibina ou o MDMA, que são criminalizadas em outros contextos por lá.

O pedido deverá ser feito pelo Special Access Program (SAP, ou Programa de Acesso Especial), que permite que médicos se utilizem de remédios que se mostraram promissores em estudos clínicos ou que já são autorizados em outros países. “Não param de surgir evidências científicas que indicam o potencial terapêutico de algumas drogas restritas, principalmente as psicodélicas, como a psilocibina ou o MDMA”, explica o anúncio oficial do governo canadense.

Apesar da aparente flexibilização, cada pedido continuará sendo avaliado caso a caso, explicaram os funcionários do SAP. “Os tratamentos apenas são autorizados quando os tratamentos já foram testados e comprovados eficazes em estudos com Fase II ou III. Levamos em consideração o nível de evidência existente sobre o uso, a segurança e a eficácia de cada droga para cada paciente”, disse Kathleen Marriner, relações públicas do Ministério da Saúde canadense.

Ainda assim, a expectativa é que os requerimentos não demorem para ser processados. “Tentamos dar uma resposta para todos os casos dentro de um dia útil”, disse Kathleen. Agora é esperar para ver se a medida realmente representa uma mudança ao acesso a esses tratamentos.

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Chamada para aplicação de bolsas FoPAP:

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O Instituto Phaneros irá disponibilizar duas bolsas parciais para participação na primeira turma da Formação em Pesquisa com Psicoterapia Assistida por Psicodélicos!

De acordo com nossa política de responsabilidade social, estamos abrindo o Processo Seletivo para duas bolsas parciais (desconto de 25% na mensalidade) na FoPAP. Uma das vagas oferecidas é na cidade de São Paulo – SP, e a outra em Florianópolis – SC. As bolsas são exclusivas para estas cidades, pois os atendimentos funcionam em duplas e precisamos completar uma dupla em cada uma destas cidades que está com número ímpar de alunos.

Atualmente, o custo da formação é de 24 parcelas de R$2.200 (já incluindo hospedagem nos módulos presenciais e supervisão clínica), com o desconto, você poderá pagar parcelas deR$1.650,00 se optar pelo pagamento mensal.

Os critérios que adotamos para a escolha dos bolsistas são uma combinação de aspectos socioeconômicos, de diversidade e também a atuação profissional de cada aplicante, lembrando que o objetivo das bolsas é apoiar a inclusão social diversa e plural.

A inscrição no Processo Seletivo é gratuita, e tem duas etapas:
-Preenchimento do formulário
-Envio de documento com Curriculum Vitae e carta de apresentação

Para acessar o formulário, basta enviar uma DM que te enviaremos o link. Ao término do preenchimento, você encontrará as instruções para envio do CV. Leia com muita atenção todas as instruções para que não falte nenhuma etapa na sua inscrição!

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A um passo do financiamento público para a pesquisa psicodélica

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Não é de hoje que nossos parceiros da @mapsnews promovem campanhas e tentam conscientizar o público americano da importância de se conseguir financiamento público para a pesquisa psicodélica. O que é novidade, porém, é que essa possibilidade agora está mais perto de se tornar real.

Um projeto de lei que foi aprovado pelo Congresso americano no fim de julho de 2021 prevê um aumento dos recursos federais para a área da saúde. Diversas agências, entre elas o Department of Health and Human Services, deverão receber o dinheiro de acordo com o texto. Embora o projeto não cite nominalmente os psicodélicos, o relatório que o acompanha diz explicitamente que o governo deveria investir em pesquisas feitas com esse tipo de substância, especialmente voltadas para veteranos de guerra.

“… nosso comitê está preocupado que mais de 17 veteranos continuem cometendo suicídio todos os dias nos EUA. Há diversos estudos e testes clínicos recentes que demonstram o impacto positivo de terapias alternativas, inclusive com psicodélicos, para tratar casos resistentes de estresse pós-traumático e depressão. Dessa forma, o comitê encoraja o uso de recursos federais para promover e expandir terapias psicodélicas”, diz o texto. 

O projeto ainda precisa ser aprovado pelo Senado – mas foi visto com bons olhos pela MAPS. Quase todas as pesquisas já feitas com psicodélicos nos EUA foram financiadas por filantropia. O financiamento público serviria para evitar que novas empresas de biotecnologia, voltadas a ganhos financeiros, passem por cima de medidas de segurança durante os estudos, ou que sejam menos cautelosos em suas pesquisas, a fim de acelerar os processos e passar a lucrar com possíveis novos remédios. Outro risco é o interesse dessas empresas em patentear rapidamente qualquer nova substância relacionada a psicodélicos, o que nem sempre está de acordo com o interesse público ou o avanço consciente da ciência. Financiamento público, então, seria uma opção de praticar a medicina com mais ética e segurança.

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Novo relatório internacional vai apontar a urgência do fim da guerra às drogas

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O Global Commission on Drug Policy é uma organização internacional que tem como objetivo reformar e sugerir novas políticas públicas para as drogas ao redor do mundo. A instituição está completando 10 anos de existência em 2021 e vai lançar no dia 7 de dezembro um novo relatório chamado “Time to end prohibition” – ou “A hora de acabar com a proibição”. 

A expectativa é que o novo documento traga fatos e análises que ajudem a mostrar a ineficácia da guerra às drogas, que ao longo das últimas décadas já causou a morte de milhões de pessoas em todo o mundo e aumentou a criminalidade, principalmente em países mais vulneráveis e produtores de drogas. 

O Global Commission on Drug Policy trabalha em cinco frentes de atuação para reformar as leis contra drogas: priorizando a abordagem por meio da saúde pública, descriminalizando o uso e a posse de drogas por parte de indivíduos, facilitando o acesso a medicamentos controlados, incentivando a opção de penas alternativas para crimes não violentos (como a venda de drogas) e regulando o mercado de drogas com o objetivo de desmantelar o crime organizado. 

A organização foi fundada há uma década com a atuação de ativistas, políticos e empresários influentes, interessados em modernizar o debate sobre o assunto. O ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso, o ex-secretário geral da ONU Kofi Annan (falecido em 2018), a ex-presidente da Suíça Ruth Dreifuss, o escritor mexicano Carlos Fuentes e dois ex-presidentes da Colômbia (César Gaviria e Juan Manuel Santos) estão entre muitas da figures ilustres que fazem parte da instituição. 

A expectativa agora é ver o que o novo relatório vai apresentar. Fiquemos ligados!

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Experiências místicas e seu papel nos tratamentos psicodélicos

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Na comunidade científica psicodélica, é comum o argumento de que não seria relevante ou necessário estudar as experiências místicas (EMs) que costumam acompanhar o uso dessas substâncias a fim de entender seu papel terapêutico. No entanto, a tentativa de retirar o misticismo da ciência psicodélica é, no mínimo, uma tendência que não faz jus à profundidade e à complexidade do tópico. Esse é o argumento central de Joost Breeksema e Michiel van Elk, cientistas da Leiden University, em um artigo publicado em julho de 2021. 

Os pesquisadores argumentam que o reconhecimento da complexa variedade de “estranhezas” das experiências psicodélicas deveria estar no cerne de qualquer programa de pesquisa minimamente sério sobre o tópico. Os autores também destacam a rica tradição de ferramentas científicas para estudar EMs, e a sua relevância para a compreensão dos efeitos terapêuticos dos psicodélicos.

Ferramentas como o Questionário de Experiência Mística (MEQ) e a Escala das 5 Dimensões de Estados Alterados de Consciência (5D-ASC) têm se mostrado valiosas no mapeamento da fenomenologia induzida por psicodélicos. Ao lado dessas escalas padronizadas, os métodos de pesquisa qualitativa são particularmente úteis para estudar as experiências, usando técnicas como entrevistas em profundidade, observação participante e microfenomenologia, que ajudam a explorar o que foi vivido  em detalhes mais precisos.

Um número crescente de pesquisadores interessados ​​no potencial terapêutico dos psicodélicos busca categorizar as EMs enquanto “efeitos colaterais” completamente irrelevantes. Outros, no entanto, apontam para a relevância  da experiência subjetiva. Embora esse debate ainda não esteja terminado, vale ressaltar a importância do contexto cultural, tanto para levar (ou não) em consideração  essas experiências, quanto para entender sociedades  que questionam até mesmo a divisão entre místico/ordinário ou transcendente/imanente.

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O poder dos ritos

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Os povos ameríndios já o sabem há séculos, desde tempos imemoriais. Mas só agora a ciência está chegando lá. O uso das plantas de poder, ou medicina da floresta (ou substâncias psicodélicas mesmo) é mais significativo quando dentro de um contexto comunitário. Pelo menos é isso que um grupo de pesquisa do Imperial College em Londres resolveu estudar. Os resultados saíram em janeiro de 2021 na revista Frontiers in Pharmacology. 

Os pesquisadores, liderados pelo israelense Leor Roseman, PhD, analisaram dados fornecidos online por quase 900 participantes de rituais com ayahuasca e cogumelos. Para isso, desenvolveram um questionário, chamado “Communitas Scale”, que mediu os impactos da experiência comunitária algumas semanas e dias antes e depois do evento. Os resultados confirmam que rituais realizados em grupos fazem com que as pessoas se sintam mais unidas e em pertencimento, compartilhando a experiência de serem humanas, estando conectadas entre si e aumentando o  bem estar. 

Os efeitos positivos na saúde mental foram sentidos por até quatro semanas depois dos rituais e eram mais evidentes nos casos em que participantes haviam compartilhado experiências e histórias de vida entre si. Quanto mais próxima era a relação entre os voluntários e os facilitadores das cerimônias, maior era também o impacto emocional positivo e a sensação de pertencimento.

Assim, os pesquisadores apontaram para possíveis limitações nos atuais estudos com psicodélicos, em que os pacientes passam pela experiência de maneira individual. Isso poderia restringir alguns aspectos do acontecimento e diminuir os benefícios gerados nas suas comunidades. Por outro lado, para pacientes graves e em casos específicos, como sobreviventes de abuso sexual, rituais em grupos podem ser extremamente desafiadores e talvez menos seguro. Como tudo na ciência, é importante que os métodos sejam criteriosos e confiáveis.

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Ciência para boas políticas públicas

Phaneros Política PúblicasEm diversos países do mundo, o MDMA ainda é classificado como uma substância “schedule 1”, ou seja, uma molécula sem potencial terapêutico e com alta probabilidade de abuso. No entanto, nos últimos anos, desde a chamada “renascença psicodélica”, a ciência  vem mostrando que o MDMA apresenta baixo risco à saúde dos usuários, e que a substância associada à psicoterapia pode ser eficaz para o tratamento de pacientes com transtorno do estresse pós-traumático, por exemplo.

Na Holanda, no entanto, vem crescendo a preocupação em torno do MDMA, que está sendo associado a um aumento da criminalidade no país. Por isso, pesquisadores holandeses se reuniram em um painel interdisciplinar com especialistas de diferentes áreas do conhecimento, com o intuito de reformular a política de MDMA holandesa com base em evidências científicas.

O resultado foi publicado no Journal of Psychopharmacology em fevereiro de 2021, e tentou criar diretrizes para o país europeu – embora tenha considerado o MDMA e o ecstasy como substâncias sinônimas, o que elas não são. Cerca de 50% do ecstasy consumido ilicitamente sequer contém MDMA, e já foram identificados mais de 500 contaminantes em sua composição.

Os pesquisadores usaram um modelo complexo de análise multicritério e multidimensional, e chegaram a 22 instrumentos de política pública para as áreas da saúde, segurança e economia. As propostas incluem diretrizes para a venda do MDMA, redução dos danos à saúde, diminuição do crime organizado, e até a redução dos efeitos negativos ao meio ambiente. São recomendações que incluem a regulamentação da venda da substância de maneira parecida com a de outros fármacos, inclusive com um preço tabelado, e a proibição da propaganda e da venda para menores de idade, entre outros. O modelo ainda prevê aumento nas receitas do Estado com base na taxação.

A ideia é que o trabalho possa servir para o desenvolvimento de uma nova política de MDMA baseada em evidências científicas. Os autores acreditam que esse seria um modelo robusto o suficiente para ser aplicado em outros países também.

Curadoria: SAGE journals