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“Grandes líderes precisam entender o seu papel”

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Satisfação vermos os dois conselheiros do Instituto Phaneros, Paulo Chapchap e Lourenço Bustani, se juntando para apoiar os líderes do nosso país a terem saúde mental. Afinal, as responsabilidades e cargas são enormes, mas no geral faltam suporte e ferramentas que permitam desenvolver a resiliência e consciência necessárias para exercer essa liderança da forma mais eficaz e transformadora possível.

Afinal, são crises sanitárias, ambientais, sociais, políticas e econômicas; pressões e expectativas vindas da alta governança assim como de toda a força de trabalho; burnout; solidão. E diante de tudo isso uma pressão permanente por líderes fortes e felizes, infalíveis e nunca vulneráveis.

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Um curso para futuros pesquisadores de psicodélicos

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A saúde mental promete ser o grande desafio do século XXI. Juntamente com a pandemia de Covid-19, estamos vivendo também uma proliferação de casos de transtornos mentais – principalmente de ansiedade, depressão e estresse pós-traumático. No Brasil, onde o vírus se alastrou de forma implacável, não é diferente. Não há quem tenha passado pelos últimos dois anos incólume – seja por medo da doença, pelo luto de uma pessoa querida, por dificuldades financeiras.

Dentro desse contexto, cresce a necessidade de novos tratamentos psiquiátricos eficazes e seguros – algo que os psicodélicos parecem estar prometendo. As pesquisas na área são bastante animadoras mas, junto com elas, surge também a demanda por profissionais qualificados para conduzi-las e acompanhar as Psicoterapias Assistidas por Psicodélicos (PAP).

Ao redor do mundo, a ideia de cursos de que formam pesquisadores especializados em PAP não é nova. Nossos parceiros da @mapsnews, por exemplo, são pioneiros no assunto. Mas há também formações organizadas pela @mind_europe, a @fluencetraining e o Usona Institute – que também colaboram com o Phaneros. 

Felizmente, o Brasil é um dos países que está desenvolvendo estudos próprios na área – com participação, inclusive, do diretor do Instituto Phaneros, Eduardo Schenberg, PhD. Para que os estudos possam continuar sendo desenvolvidos por aqui, é crucial que o país também possa contar com pesquisadores formados na área. 

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Esta semana na Comunidade: o documentário Dosed

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As drogas sempre fizeram parte da experiência humana, nas suas mais diversas formas de uso: medicinais, artísticos, recreativos, de abuso e até mesmo de dependência. Essa última é uma condição com tratamentos pouco eficazes e que ao mesmo tempo exigem muito da equipe clínica ao redor dos pacientes.

Por mais que a ideia de ‘’usar drogas para tratar a dependência de drogas’’ possa parecer estranha para muita gente,  recentemente, psicodélicos em contextos terapêuticos estão sendo usados para tratar a dependência de opióides, álcool e tabaco com ótimos resultados.

Tratamentos com psilocibina, MDMA, ibogaína e ayahuasca despontam como um instrumento importante nesses casos desafiadores, ao mesmo tempo em que sinalizam a necessidade de uma revisão sobre os tratamentos da dependência química. O fato de substâncias tão diversas, com diferentes mecanismos de ação, como a psilocibina, a ibogaína e o MDMA, atuarem tão bem no tratamento de alcoolismo traz importantes questionamentos científicos sobre o processo neuroquímico envolvido.

Nesta quinta-feira na Comunidade Phaneros, conversaremos sobre o documentário Dosed, de Tyler Chandler, que retrata a história de Adrianne para lidar com a dependência de opióides por meio do uso de psicodélicos. A produção foi premiada em festivais internacionais por retratar com muita sensibilidade o processo intenso e emocionante de enfrentamento da dependência química. Materiais como este documentário, artigos científicos e livros são escolhidos em votação pelas centenas de membros que estudam e dialogam semanalmente sobre temas relacionados a psicodélicos.  

Se você também quer participar da Comunidade Phaneros, acompanhe a nossa página e aproveite o próximo período de inscrições!

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Como será o mundo do trabalho psicodélico?

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Reunião atrás de reunião, corrida por resultados, horas no trânsito, mensagens de Whatsapp no fim de semana. O ritmo do trabalho moderno é implacável: raramente se restringe aos horários combinados e contamina a vida pessoal, os dias de descanso, as horas de lazer. Dentro desse contexto, como ficaria o mundo profissional, se os psicodélicos se tornarem populares e de fácil acesso?

Foi esse o questionamento que a revista Rolling Stone fez em um artigo publicado no começo de outubro de 2021. A verdade é: a maneira como o trabalho está organizado não combina com o ritmo introspectivo, criativo, antissistema dos psicodélicos.

Por enquanto, o capitalismo vem cooptando os tratamentos. O número de empresas que vêm sendo criadas para desenvolver medicamentos, oferecer terapias alternativas, conduzir pesquisas, organizar viagens para comunidades indígenas e fornecer serviços legais relacionados aos psicodélicos não para de crescer. Ironicamente, todas elas funcionam da forma tradicional: com metas, jornadas estafantes, empresários esgotados. Isso, por si só, contradiz a própria natureza de uma viagem psicodélica, geralmente feita quando se tem tempo, dedicação e repouso.

Outro fator importante a ser observado nessa nova indústria é a forma como eles se afastam da história e da origem dos psicodélicos. Muitas das substâncias que estão virando moda nos EUA e na Europa – como a ayahuasca, os cogumelos mágicos, o peyote – vêm de sociedades indígenas não-brancas, não-capitalistas, que as utilizam dentro de experiências ritualísticas e religiosas. Nada mais distante de uma startup do Vale do Silício, digamos. 

“Inserir essas substâncias no mercado que está nascendo vai exigir muita decolonização dos líderes dessas empresas”, disse à Rolling Stone Charlotte James, co-fundadora do @​​theancestorproject, que conscientiza pessoas pretas e pardas sobre a medicina baseada em plantas. “Essa nova ‘indústria’ não vai poder ser uma ‘indústria’ como as conhecemos atualmente. Em vez disso, será uma rede de co-criação que atravessa diversos ambientes e comunidades”, ela conclui.

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Em que pé anda a pesquisa psicodélica na Alemanha?

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A Deutsche Welle, o conglomerado de mídia público do governo alemão, lançou no começo de outubro de 2021 uma grande reportagem relatando o status atual da ciência psicodélica no país.  

Além de descrever o momento inspirador pelo qual as pesquisas com alucinógenos estão passando no mundo inteiro, o artigo destaca as particularidades da Alemanha, especialmente uma pesquisa que está sendo conduzida no Zentralinstitut für Seelische Gesundheit (Instituto Central de Saúde Mental), na cidade de Mannheim. Por lá, pacientes diagnosticados com casos graves de depressão – resistentes aos tratamentos convencionais – estão recebendo doses de psilocibina (o princípio ativo dos cogumelos mágicos) dentro de um contexto de Psicoterapia Assistida por Psicodélicos (PAP). Um total de 144 voluntários já passaram pela experiência, e a lista de espera é imensa.

De acordo com o orientador do estudo, Gerhard Gründer, a parte mais difícil da iniciativa foi encontrar a substância por vias oficiais. De fato, são pouquíssimos os fornecedores de substâncias psicodélicas destinadas à pesquisa no mundo: ou seja, que foram produzidos seguindo rigorosos controles farmacêuticos de qualidade. Para além disso, a Alemanha também é notoriamente exigente em seus processos regulatórios. Ainda assim, graças ao alto número de participantes para uma pesquisa psicodélica, Gründer espera encontrar resultados estatisticamente significativos. 

A reportagem também dá destaque ao evento organizado pelos nossos parceiros da @mind_europe, a Insight Conference, que aconteceu em setembro. Uma iniciativa dessa magnitude, com quatro dias de atividades e centenas de participantes, mostra que o debate avançou dentro da maior economia da Europa. A Mind Foundation, por exemplo, tem o registro de 130 empresas que atuam no setor, “desde um retiro à base de psilocibina, A Whole New High, na Holanda; até a Wavepaths, especialista no som perfeito para acompanhar a trip nos fones de ouvido”, de acordo com a Deutsche Welle.

 

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Setembro amarelo e a urgência de novos tratamentos psiquiátricos

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(Aviso de gatilho: neste texto serão discutidos dados sobre suicídio.)

O mês de setembro já está quase chegando ao fim, mas ainda dá tempo de lembrar da importância da campanha organizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria, o Setembro Amarelo, pela prevenção ao suicídio. O suicídio é uma das principais causa de morte no mundo, e vitimiza todos os anos 700 mil pessoas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, são quase 13 mil casos anualmente. 

Mas ele não afeta todas as pessoas da mesma forma. A OMS ressalta que, no mundo todo, três entre quatro pessoas que tiram a própria vida moram em países de renda baixa e média – ou seja, existe uma importante correlação com fatores sócio-econômicos, exposição à violência, instabilidade financeira, abuso de substâncias, entre outros. 

O problema se agrava principalmente nas pessoas mais vulneráveis da sociedade – resultantes de todas as intersecções possíveis. No Brasil, por exemplo, a taxa de suicídios é desproporcionalmente alta em comunidades indígenas: três vezes maior do que no resto da população. Outra minoria especialmente afetada são pessoas com deficiência. Um boletim do Ministério da Saúde mostrou que, entre 2011 e 2016, 25,5% das mulheres que tentaram suicídio, e 27,7% dos homens possuíam algum tipo de deficiência ou transtorno

Em todos os contextos, quase a totalidade das mortes (cerca de 98%) acontece em pessoas que sofrem de um ou mais transtornos mentais. Por isso, a discussão da prevenção ao suicídio passa invariavelmente pelos tratamentos psiquiátricos. Muitos dos remédios disponíveis atualmente são pouco eficientes para tratar pessoas com depressão grave, por exemplo. Nesse cenário, terapias psicodélicas seguras se tornam mais urgentes do que nunca. (O que não quer dizer, é claro, que os psicodélicos serão a cura mágica para esse imenso problema epidemiológico – diz apenas que não podemos nos dar ao luxo de dispensar um promissor caminho para novos tratamentos.)

Nos próximos meses, o Instituto Phaneros deverá lançar sua nova Formação em Pesquisa em Psicoterapia Assistida por Psicodélicos. Fique ligado nas nossas redes para não perder mais informações!

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Como as psicanálises de Lacan e Ferenczi podem colaborar com as terapias psicodélicas

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A psicanálise é uma das vertentes terapêuticas mais importantes do mundo e da história ocidental dos cuidados em saúde mental. Desenvolvida na Áustria por Sigmund Freud, com o passar dos anos, ela foi se remodelando em diversas escolas de psicoterapia fundadas por psicanalistas, cada uma com inovações técnicas e teóricas. 

Assim como os ramos que saem de um tronco principal, essas escolas traziam semelhanças, mas também diferenças da psicanálise freudiana. Cada derivação, pode contribuir para o entendimento de certos aspectos da personalidade humana e da experiência psicodélica, como as imagens, os processos somáticos, o setting terapêutico, entre outros. 

Nesta semana na Comunidade Phaneros, teremos os colegas Eduardo Moreira e Paulo Pimentel apresentando, respectivamente, um pouco da obra de Lacan e Ferenczi e suas contribuições para o entendimento da Psicoterapia Assistida por Psicodélicos. 

Este será o segundo encontro da Comunidade sobre psicanálises, embora já tenhamos recebido colegas especialistas em  Psicologia Analítica, Terapias Comportamentais, Esquizoanálise, Abordagem Centrada na Pessoa, Fenomenologia e outros.

A Comunidade Phaneros é um grupo de estudos sobre psicodélicos formado por mais de 400 profissionais. Temos encontros semanais com apresentações, leitura de artigos científicos, convidados e muito mais.

Se você deseja fazer parte da Comunidade Phaneros, acompanhe a página e fique atento para o próximo período de inscrições!

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Tratamentos psicodélicos ganham anúncio na Times Square

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Poucas coisas são tão simbólicas de sucesso do que ter o seu produto estampado na famosa Times Square, em Nova York. Nessa rua, que é o centro comercial e empresarial da maior metrópole dos EUA, outdoors e telões multicoloridos anunciam suas marcas para as milhares de pessoas que passam por lá todos os dias. E essa foi a vez dos psicodélicos.

Entre 26 de setembro e 3 de outubro de 2021, a revista @doubleblindmag, uma publicação semestral dedicada exclusivamente ao mundo dos psicodélicos, comprou um anúncio na Times Square, com foco em “plantas medicinais”, que pretende “estimular um debate sobre a cura”. O outdoor foi patrocinado também pela Honeysuckle Magazine, Musings Magazine e Rainbo Mushrooms, e é o primeiro da história dos EUA com foco em psicodélicos. 

O anúncio convida as pessoas a tirar uma foto do painel luminoso e compartilhá-la nas redes sociais com a hashtag #celebrateplantmedicine (celebre a medicina baseada em plantas). A ideia é que as pessoas compartilhem histórias de como os psicodélicos mudaram as suas vidas. 

Mas a iniciativa também tem seus problemas. A foto usada no outdoor, por exemplo, mostra um grupo de indígenas em vestimentas tradicionais, sem dar nenhum tipo de contexto. Como se sabe, há diversas sociedades indígenas – incluindo várias no Brasil – que usam psicodélicos como o cipó ayahuasca ou o cacto peyote em seus rituais sagrados. 

Há muitas críticas de que a renascença psicodélica atual esteja capitalizando sobre esses conhecimentos tradicionais, interessada apenas em substâncias alucinógenas que possam ser facilmente comercializadas e render lucros, sem levar em consideração o contexto ritualístico necessário para uma experiência positiva. Por essa perspectiva, o outdoor na Times Square se torna mais um exemplo desse controverso movimento de expansão mundial dos psicodélicos, que pode aumentar o fluxo de turismo em regiões indígenas, o que sempre carrega complicações e riscos, especialmente durante uma pandemia.

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Pelo direito de tratamentos experimentais para transtornos mentais

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Desde a pandemia de HIV, que assolou o mundo na década de 1980 e 1990, tornou-se praxe disponibilizar tratamentos e remédios experimentais (que ainda não foram totalmente aprovados pelas agências regulatórias) para pacientes em estado grave. Então por que a medicina não está fazendo o mesmo agora, autorizando terapias psicodélicas promissoras para pacientes com transtornos mentais? É isso o que defende um artigo publicado em julho de 2021, na Frontiers in Psychiatry, por Morgan Campbell, do departamento de psiquiatria do Delaware Division of Substance Abuse and Mental Health, e Monnica Williams, da Universidade de Ottawa.

Os autores argumentam que os pacientes de doenças mentais não são tratados da mesma forma que pacientes com outros males, como câncer ou doenças infecciosas. Para eles, não há justificativa ética para essa diferenciação. Se substâncias psicodélicas vêm mostrando resultados promissores em estudos ao redor do mundo, porque não podem ser ministradas para pessoas em estado grave de, digamos, depressão, ansiedade ou estresse pós-traumático?

Essa discussão se torna ainda mais importante no contexto atual. Como se sabe, juntamente com uma pandemia de Covid-19, o mundo está passando por desafios crescentes em saúde mental, oriundos do medo de adoecer, da insegurança econômica e do isolamento social. Segundo os autores, o número de americanos que reportaram sofrer de ansiedade e depressão saltou de 10% a 40% no último ano. Como justificar o não tratamento dessas pessoas?

O artigo relembra o caso do ativista Larry Kramer que, em 1988, depois de ver diversos amigos sucumbirem à Aids, denunciou o governo e as agências regulatórias americanas de estarem contribuindo para o aumento de mortes, ao negar o acesso de terapias novas aos pacientes com HIV. Para os autores, os argumentos incisivos de Kramer são válidos agora também, especialmente um: “Estamos no meio de uma p**** de uma peste!”, dizia ele. Quanto mais podemos esperar?

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Revista americana chama a psilocibina de “a maior revolução psiquiátrica desde o Prozac”

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Uma das mais tradicionais revistas semanais de notícias dos EUA, a @newsweek, dedicou a capa da edição de 22 de setembro de 2021 aos cogumelos mágicos. Estampado em letras garrafais, ao lado de fotos de nove cogumelos, lê-se o título “Um novo tratamento para a depressão”. E, se ainda restava dúvidas sobre a empolgação da publicação com o assunto, o autor, Adam Piore, é ainda mais enfático no texto: diz que a psilocibina (o princípio ativo desses cogumelos) poderá se revelar o maior avanço para a saúde mental desde a invenção do Prozac.

A revista acompanhou um dos voluntários de uma pesquisa feita na Universidade Johns Hopkins e publicada no ano passado na revista JAMA Psychiatry. Nela, Aaron Presley, de 34 anos, que por anos sofreu de uma depressão tão grave que o impossibilitava de sair da cama, recebeu dosagens altas de psilocibina acompanhadas por psicoterapia. Durante os efeitos da substância, ele teve visões de si durante a infância e se sentiu amado como há muito não o fazia. Depois da experiência, sua depressão regrediu consideravelmente. Esse mesmo estudo concluiu que a psilocibina era quatro vezes mais eficiente do que os antidepressivos tradicionais. 

De um modo geral, a revista traz um grande apanhado da história dos psicodélicos – de seus usos tradicionais em comunidades indígenas ao redor do mundo, ao boom de usuários recreativos no Ocidente que acabou levando à proibição dessas drogas, até chegar aos dias atuais, em que essas substâncias passaram a ser vistas como a grande promessa da psiquiatria. 

Boa parte da reportagem é dedicada a entender os efeitos dos psicodélicos no nosso cérebro. Entre eles, a maneira como são capazes de dissolver a percepção de ego e também a teoria de que essas substâncias seriam capazes de reprogramar as conexões cerebrais ou literalmente regenerar neurônios.

O destaque dado pela Newsweek ao assunto é mais um momento importante na mudança de atitude das pessoas em relação a essas substâncias. As informações contidas na reportagem, no entanto, você, que acompanha o trabalho do Instituto Phaneros, já deve conhecer há tempos 😉