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Esta semana na Comunidade: Dra. Nicole Galvão-Coelho

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Nesta semana a Comunidade Phaneros receberá mais uma convidada incrível! Desta vez será a Dra. Nicole Leite Galvão-Coelho, professora adjunta do Departamento de Fisiologia & Comportamento (UFRN), NICM Health Research Institute (Western Sydney University). A pesquisadora vem se dedicando ao estudo de tratamentos complementares (terapias corpo-mente) e alternativos (psicodélicos) para transtornos de humor, com foco no potencial antidepressivo da ayahuasca.

Autora de diversos artigos científicos, irá apresentar um pouco das suas pesquisas com ayahuasca, um tema cada vez mais relevante no Brasil e no mundo. Mais e mais pessoas têm buscado essa experiência, mais pacientes têm chegado ao consultório com esta demanda e a ciência tem evidenciado os benefícios da ayahuasca para a saúde mental.

A Comunidade Phaneros é um grupo de estudos com encontros semanais, onde os mais de 400 membros têm acesso a sessões com convidados especiais, filmes, livros e artigos ligados aos psicodélicos. 

Se você também se interessa pelo assunto e pretende ter acesso direto a pesquisadores de ponta, podendo interagir e fazer perguntas ao vivo, acompanhe a nossa página e aguarde o próximo período de inscrições!

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Governo americano vai financiar pesquisa com psicodélicos para tratar vício em cigarro

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Um nome importante da ciência psicodélica atual, o Dr. Matthew W. Johnson, professor de psiquiatria e ciências comportamentais da @hopkinsmedicine, anunciou ontem em seu twitter um acontecimento histórico: o governo federal americano decidiu financiar uma de suas pesquisas com psilocibina (o princípio ativo dos cogumelos mágicos) para tratar o vício em cigarros. Segundo o professor, é a primeira vez em mais de cinquenta anos, desde que os psicodélicos entraram para a lista de drogas ilegais, que um estudo clínico com um psicodélico clássico será patrocinado pelo governo americano.

O dinheiro vai vir do NIDA (National Institute on Drug Abuse, um instituto de pesquisa público que estuda o consumo de drogas com o objetivo de melhorar a saúde da população) e a investigação será feita em três centros de excelência dos EUA. Além da Johns Hopkins, que vai liderar o projeto, a pesquisa será conduzida também na Universidade de Nova York e na Universidade de Alabama em Birmingham.

O cenário é promissor. Estudos anteriores conduzidos pelo próprio Dr. Johnson na mesma universidade apontam que a psilocibina parece ser eficiente para diminuir o consumo de cigarro. Um deles, feito com 15 voluntários, apontou que 80% deles tinham largado o hábito seis meses depois da pesquisa – um feito muito maior do que o alcançado pelo medicamento mais eficiente em uso hoje em dia, que foi de 35%.

A discussão em torno do financiamento público da pesquisa com psicodélica não é de hoje. Nossos parceiros da @mapsnews, por exemplo, já defendem a ideia há anos. A ideia é que o dinheiro do estado sirva como uma forma de regular o desenvolvimento de novos medicamentos e terapias. Ele ajudaria a evitar, por exemplo, que novas empresas de biotecnologia, voltadas a ganhos financeiros, passem por cima de medidas de segurança durante os estudos, ou que sejam menos cautelosos em suas pesquisas, a fim de acelerar os processos e passar a lucrar com possíveis novos remédios. 

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Revista Scientific American: psicodélicos são a grande aposta para doenças mentais

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Um artigo de opinião publicado em 14 de setembro de 2021 na revista Scientific American classificou as substâncias psicodélicas como a maior inovação no mundo da psiquiatria atualmente. O texto foi assinado por Danielle Schlosser, psicóloga e professora da Universidade da Califórnia em São Francisco, e por Thomas R. Insel, psiquiatra que dirigiu o National Institute of Mental Health dos EUA entre 2002 e 2015. 

Schlosser e Insel destacam a forma revolucionária com a qual os tratamentos psicodélicos funcionam para tratar depressão, trauma ou ansiedade. Ao contrário dos antidepressivos comuns, que demoram semanas ou meses para fazer efeito – e que na verdade não curam as doenças, apenas tratam os sintomas -, psicodélicos como a psilocibina ou o MDMA precisam ser ingeridos apenas poucas vezes para gerar resultados até mesmo melhores. Isso poderia indicar que essas substâncias realmente alteram a forma como os pacientes enxergam o mundo.

Resultados tão rápidos são especialmente inesperados em transtornos mentais, que costumam ser difíceis de tratar. Segundo o artigo, um terço dos pacientes com depressão grave e persistente não responde aos tratamentos convencionais. Isso, por sua vez, se torna um problema de saúde pública. Imagine poder oferecer tratamentos eficazes para esse grupo? É isso que a renascença psicodélica parece estar prometendo. 

Para os autores, a criminalização dessas substâncias ainda na década de 1970 atrasou a ciência por décadas. Comunidades científicas ao redor do mundo agora estão tendo de correr atrás do tempo. Nesse sentido, segundo os autores, urge a necessidade de revisar o status de ilegalidade dos psicodélicos.

Um artigo tão contundente como esse na Scientific American apenas corrobora a importância que essas substâncias vêm ganhando. A revista é uma das mais importantes do mundo em sua área, e circula sem parar há 176 anos, desde 1845. Em suas páginas, já foram publicados artigos de cientistas renomados, como Albert Einstein, Linus Pauling e J. Robert Oppenheimer.

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Polícia desmontou cultivo de cogumelos em Porto Alegre

 

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A polícia civil do Rio Grande do Sul descobriu e interceptou um laboratório de cultivo de cogumelos na região norte da cidade de Porto Alegre em junho deste ano. Dentro de uma casa residencial, um pai e um filho estavam cultivando os chamados “cogumelos mágicos”. A ação fez parte da Operação Leprechaun (em referência ao duende vestido de verde do folclore irlandês), que investiga o tráfico de drogas sintéticas.

Dentro da casa, foram encontrados insumos, estufas, diversos telefones celulares, balanças de precisão e até dois revólveres com 20 munições. Havia um local para o cultivo dos cogumelos e também uma espécie de laboratório para encapsulamento do material desidratado. A polícia declarou que os dois acusados já trabalhavam na operação há pelo menos um ano e meio. 

Resta saber se, de fato, o material comercializado continha ou não psilocibina e/ou psilocina, os princípios ativos destes cogumelos. Esta distinção é importante pois as moléculas estão nas listas de substâncias proscritas no Brasil, enquanto os próprios cogumelos não fazem parte das substâncias controladas, como acontece no caso da cannabis sativa, sendo a própria planta proscrita.

O material era vendido online em forma de cápsulas. Chamou a atenção da polícia a clientela de alto poder aquisitivo da dupla, que pagava entre R$ 200 e R$ 1400 por cada unidade.

O fato de a clientela dos psicodélicos ser formada justamente por pessoas de classes sociais mais elevadas faz com que sejam muito mais raras as operações policiais que foquem no combate dessas substâncias. As ações costumam se concentrar no tráfico de drogas de drogas mais “populares”, como a maconha, o crack ou até mesmo a cocaína. É essa distinção que torna a guerra às drogas um combate também às pessoas mais marginalizadas da sociedade: jovens pobres e negros, por exemplo.

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Esta semana na Comunidade Phaneros: o trabalho de Claudio Naranjo

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Claudio Naranjo foi um psiquiatra chileno, da linha da Gestalt-terapia, pioneiro no estudo dos potenciais terapêuticos dos psicodélicos. Além da psiquiatra, ele também se dedicou profundamente ao estudo da música, da meditação e da espiritualidade, temas bastante pertinentes para o trabalho com substâncias psicodélicas.

No seu livro mais recente, “Minhas Explorações Psicodélicas: O Poder Curativo e o Potencial Transformador das Substâncias Psicodélicas” (em tradução livre), o autor conta sua longa história com essas  substâncias. Naranjo era muito próximo do químico americano Alexander “Sasha” Shulgin, e até participou do seu grupo de experimentação com novas substâncias. No livro, Naranjo também relata suas experiências com outras menos usuais, como o MDA, a harmalina, entre outras.

Claudio desenvolveu trabalhos terapêuticos em grupo e logo se deu conta da importância da educação e formação para capacitar profissionais a desenvolverem esse tipo de trabalho. No livro, ele também discute alguns pontos importantes na jornada formativa daqueles que pretendem exercer a prática.

Nesta semana na Comunidade Phaneros, conversaremos conjuntamente sobre o livro e as reflexões despertadas por ele. A Comunidade é um grupo de estudos com mais de 400 profissionais interessados em temas relacionados ao mundo dos psicodélicos, que se reúne semanalmente para dialogar sobre livros, filmes, artigos científicos e muito mais. 

Se você quer participar da Comunidade Phaneros, acompanhe a página e fique de olho no próximo período de inscrições!

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Pensilvânia quer autorizar testes com psilocibina

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Mais um estado norte-americano está trilhando o caminho rumo à regulamentação dos psicodélicos. Dessa vez, foi a Pensilvânia, estado vizinho de Nova York, no qual uma proposta de lei que promete autorizar estudos com psilocibina (a substância ativa dos chamados cogumelos mágicos) para tratar estresse pós-traumático e outros transtornos mentais deve chegar à Assembleia Legislativa.

A emenda na lei é focada em veteranos de guerra e primeiro-socorristas, dois grupos altamente propensos a apresentar traumas ao longo da vida. Surpreendentemente, a nova proposta já nasceu bipartidária: foi apresentada pela deputada Tracy Pennycuick, do partido republicano, e por Jennifer O’Mara, dos democratas. A ideia é que o estado comece a produzir psilocibina de forma legalizada.

“Os gastos totais do Governo Federal com pesquisas e tratamentos para transtornos mentais e abuso de substâncias foi mais de US$ 1 trilhão entre 2010 e 2019 – e isso não impediu que as taxas de morte por consequência desses males tenha saltado de 94 mil ao ano para 150 mil. O fardo é especialmente pesado para os nossos veteranos de guerra. Sua taxa de suicídio é 1,5 vezes maior do que a da população em geral, e estima-se que 20 veteranos cometam suicídio todos os dias nos EUA”, diz o texto do projeto de lei.

Se a ideia chegar à votação, será apenas mais um passo na verdadeira revolução jurídica que os psicodélicos estão vivendo nos EUA. Os estados do Oregon, Washington, Califórnia, Iowa e Nova York, entre outros, já autorizaram tratamentos psicodélicos e por vezes até o consumo. O Texas, tradicionalmente conservador, também está a um passo da regulamentação.

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Journal Club: A importância da Integração Psicodélica

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Sempre que falamos das terapias psicodélicas, para reduzir riscos e maximizar benefícios é importante lembrar da preparação e da integração das experiências. A preparação diz respeito ao que antecede a experiência em si e a integração ao momento posterior ao efeito da substância, onde os insights e transformações começarão a se organizar na vida cotidiana. Como explicamos no Curso Psicodélicos e Saúde Mental, existem vários detalhes e cuidados que devem ser respeitados nestas duas fases.

Nesta semana na Comunidade Phaneros trataremos da integração, um termo já usado a bastante tempo pelos profissionais do campo, mas que só recentemente teve artigos científicos realmente dedicados ao assunto. Até então, os estudiosos mais próximos do tema sabiam bem como a integração ocorria e se potencializava – através de técnicas artísticas, roleplay, sandplay, entre outros – mas não era tão claro para aqueles que tomaram conhecimento da prática mais recentemente.

O artigo desta semana ajuda a compreender a prática da integração e foi escolhido em votação dentre três opções voltadas ao mesmo tópico. Os mais de 400 membros da Comunidade Phaneros tem a opção de escolher os artigos, filmes e livros discutidos nos encontros semanais sobre temas ligados aos psicodélicos.

Se quiser saber mais, acompanhe a nossa página e não perca o próximo período de inscrições da Comunidade!

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Será que o novo governo americano vai ser amigável aos psicodélicos?

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Eis a pergunta da revista Rolling Stone no começo desse ano. Será que a troca de presidentes por lá – de Donald Trump para Joe Biden – representaria também um cenário mais favorável para a regulamentação dos psicodélicos?

Segundo a publicação, há alguns procedimentos legais que um governo com um posicionamento mais progressista poderia fazer. Atualmente, diversos estados e municípios americanos têm aprovado por conta própria o uso terapêutico de psicodélicos ou, como é o caso dos estados de Washington e Colorado, até regulamentado o uso dessas substâncias para algumas situações. O que o governo federal poderia fazer nesse caso é emitir uma recomendação para que procuradores de instâncias superiores não tentem reverter as novas leis estaduais. Isso impediria, por exemplo, que decisões locais possam ser anuladas. 

Outra ação mais proativa poderia ser tomada pelo DEA (o Drug Enforcement Administration, o órgão que coíbe o tráfico e consumo de drogas nos EUA). Uma vez que alguns estados reconheceram em seus tribunais que, por exemplo, a psilocibina (o princípio ativo dos cogumelos mágicos) pode ter usos medicinais, a agência teria que abrir um processo interno para reavaliar se a substância realmente deveria continuar constando entre as drogas ilegais. Esse é um procedimento obrigatório do DEA, que deveria ser feito a partir do momento em que qualquer substância passa a ser reconhecida como medicinal. Ainda assim, o órgão não o fez para a maconha – que está em um estado muito mais avançado de regulamentação.

É por dificuldades como essa que diversos especialistas entrevistados pela revista americana não acreditam que o governo Biden vá ter uma atitude tão contundente em relação ao tema quanto se gostaria. Agora só resta esperar para ver.

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Harvard lança primeiro centro para discutir questões legais dos psicodélicos

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Com o avanço das pesquisas nos anos recentes e a regulamentação de seu uso, principalmente nos EUA, os psicodélicos vêm invadindo não só os laboratórios científicos, mas também os escritórios de advocacia. Como as cortes devem lidar com esse tipo de substância? Como devem ser classificadas? O que configura uma nova droga? Foi com o intuito de resolver as encruzilhadas legais que acompanham a renascença psicodélica que a Faculdade de Direito da Universidade Harvard resolveu criar o primeiro centro de estudos jurídicos dedicado exclusivamente ao assunto, o Project on Psychedelics Law and Regulation, ou POPLAR.

O centro, porém, não vai focar as suas atividades em discutir o status legal desse tipo de substância – como regulamentá-los ou descriminalizá-los, por exemplo. Em vez disso, o POPLAR deverá debater as questões das patentes psicodélicas e a cobertura de tratamentos por seguros de saúde, por exemplo. São perguntas muito mais difíceis de serem respondidas do que “psicodélicos deveriam ser ilegais?”. Por exemplo: a partir de qual mudança molecular uma substância pode ser considerada nova e, por consequência, patenteada e comercializada por uma grande empresa? Ou de que maneira comunidades indígenas podem alegar conhecimento tradicional anterior? 

“Os desafios associados a psicodélicos e propriedade intelectual são especialmente importantes porque eles podem moldar o ecossistema inteiro e toda a indústria pelas próximas décadas”, disse à revista Vice um dos principais patrocinadores do POPLAR, o filantropo Tim Ferriss.

Outro grande debate que deve surgir nos próximos anos, à medida que os tratamentos psicodélicos se popularizarem, é: quem vai pagar por eles? Por enquanto, esse tipo de terapia está longe de ser coberta universalmente por convênios médicos – mas não é difícil de imaginar que a pressão sobre os seguros aumente em breve.

Como tudo que envolve indústrias potencialmente bilionárias e os interesses de grandes empresas, iniciativas como a POPLAR realmente vêm em boa hora.

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Agência americana de combate às drogas agora quer aumentar a produção de psicodélicos para pesquisa

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Sim, foi isso mesmo que você leu. A Drug Enforcement Administration (DEA), a agência do governo dos EUA que combate o consumo e o tráfico de drogas, lançou essa semana uma nota propondo um aumento substancial na produção de psilocibina (o princípio ativo dos chamados cogumelos mágicos) e de maconha, para que possam ser usados em estudos científicos. As duas substâncias, no entanto, continuam classificadas como de “schedule I” pela própria agência – ou seja, ilegais e “sem nenhum uso medicinal aceito”.

O anúncio foi recebido por especialistas de forma controversa, com críticas e aprovação. Por um lado, houve quem visse na decisão da DEA um visível afrouxamento e uma disposição de reavaliar as classificações históricas dessas drogas. O fato de a agência querer disponibilizar maiores quantidades dessas substâncias para os centros de pesquisa científicos representa, de fato, uma mudança. “O aumento reflete a necessidade de realizar pesquisas, a fim de desenvolver potenciais novos medicamentos”, disse o anúncio feito essa semana. Ou seja, a própria DEA coloca no horizonte a possibilidade de essas substâncias se tornarem tratamentos reconhecidos e legalizados nos próximos anos.

Por outro lado, críticos apontaram a hipocrisia na decisão de autorizar a produção legal de maconha e psilocibina, sem no entanto alterar seu status legal. Trata-se de uma “estratégia desesperada da DEA para justificar sua própria existência, em um mundo no qual ela se tornou uma instituição obviamente obsoleta”, escreveu no Twitter o Psychedelic Stock Watch, uma agência de notícias que ajuda patrocinadores e empresas a investir no mundo dos psicodélicos

De acordo com a nova medida, a DEA vai permitir a produção de quase 2 toneladas de maconha, além de 1500 gramas de psilocibina – um aumento de 33% e 2900%, respectivamente, em relação ao ano anterior. No meio dessa discussão, fica a ciência, que certamente vai se beneficiar com o incentivo para pesquisas futuras.