instituto phaneros

Pesquisa aponta: Brasil tem a pior política de drogas do mundo

instituto phaneros

Uma pesquisa inédita, feita pela primeira vez com 30 países, indicou: o Brasil possui a pior política de drogas do mundo. O Global Drug Policy Index foi publicado no domingo, 8 de novembro, e aponta que o nosso país foca muito mais na repreensão ao tráfico e consumo de drogas do que nos impactos que elas causam na saúde pública.

Com o resultado, o Brasil ficou atrás de países como Uganda, Afeganistão e até a Indonésia, onde o tráfico de drogas pode levar à pena de morte. Na ponta do ranking estão os campeões de sempre: Noruega, Nova Zelândia e Reino Unido. Portugal também está entre os líderes, em terceiro lugar, uma vez que, por lá, o sistema de controle de drogas fica inserido no de saúde pública. 

A pesquisa organizada pelo projeto Harm Reduction Consortium deu pontuações de 0 a 100 para critérios como descriminalização de substâncias, a existência de pena de morte, políticas de redução de danos e a proporcionalidade entre os crimes e as penas. Somando todos os critérios, ficamos com apenas 26 pontos no total, contra Uganda (28 pontos) e Indonésia (29).

De fato, o Brasil, como sua guerra violenta e infrutífera contra o crime organizado, assim como o encarceramento em massa (principalmente da juventude negra e pobre) por porte de drogas em pequenas quantidades, além de cadeias superlotadas e com abusos de direitos humanos, está longe de servir de exemplo.

instituto phaneros

Primeira formação em Pesquisa

instituto phaneros

Hoje é um dia muito especial para nós, do Instituto Phaneros. Chegou a hora de anunciar a primeira Formação em Pesquisa com Psicoterapia Assistida por Psicodélicos (FoPAP) do Brasil, que será organizada por nós, já em 2022!

A FoPAP, com até dois anos de duração, vai habilitar terapeutas e profissionais da área da saúde para tratar pacientes por meio da Psicoterapia Assistida com Psicodélicos (PAP), dentro dos protocolos de pesquisa do Instituto Phaneros. Ou seja, vai formar terapeutas para que conduzam estudos científicos que ajudem a avançar o conhecimento sobre essas substâncias, colaborando para o desenvolvimento deste campo no Brasil. A Formação contará com um extenso estudo teórico do assunto, além de módulos práticos para os alunos.

O curso é o primeiro do tipo no Brasil, embora já seja uma realidade em outros países, como nos EUA e na Europa. Por se tratar de uma área do conhecimento relativamente nova, há poucas pessoas com experiência prática capazes de atender pacientes em busca de tratamentos psicodélicos ou voluntários dispostos a participar de estudos científicos. A Formação em Pesquisa com Psicoterapia Assistida por Psicodélicos faz parte de um plano do Phaneros de ampliar o atendimento de pacientes, além do escopo das pesquisas psicodélicas feitas no Brasil.

Ficou interessado? Então cadastre-se em nosso site (link na bio do instagram) para receber mais informações diretamente em sua caixa de mensagens! Em breve, teremos um evento para apresentar o programa da FoPAP, quem serão os professores e instituições colaboradoras, além de divulgar os detalhes do processo seletivo, que terá início ainda este mês.

instituto phaneros

Webinário exclusivo com Dr. Gabor Maté

instituto phaneros

Um dos mais importantes médicos e especialistas em saúde mental do mundo, o Dr. Gabor Maté, vai conversar na quinta-feira, dia 4 de novembro de 2021, com o presidente do conselho do Instituto Phaneros, Lourenço Bustani. A conversa (em inglês) acontecerá das 17h às 18:30, horário de Brasília, em formato de webinário, e será aberta e de graça a todos os interessados.

O Dr. Gabor Maté é um clínico geral húngaro-canadense, que passou anos atendendo em cuidados paliativos, especialmente de pacientes com dependência química, HIV e transtornos mentais. Desde os anos 2010, passou também a estudar os efeitos e benefícios das cerimônias de ayahuasca, o chá psicodélico ingerido por comunidades tradicionais amazônicas. Essas pesquisas fizeram com que ele fosse ameaçado de prisão pelo governo canadense, que o advertiu por estar se utilizando de uma “droga ilegal”. Ele também é o idealizador do documentário “The Wisdom of Trauma”, com milhões de espectadores ao redor do mundo.  

Durante a conversa do dia 4, serão abordados alguns dos temas mais atuais que envolvem saúde mental – desde aos mais latentes, como os impactos da pandemia, do distanciamento social e da crescente desigualdade de renda sobre a psique humana até uma discussão sobre a aparente saúde mental dos líderes políticos e econômicos da atualidade. 

O Dr. Maté é reconhecido por suas pesquisas interdisciplinares. Assuntos como a simbiose entre saúde mental e a ansiedade gerada pelo aquecimento global, ou os efeitos da epigenética e das experiências traumáticas sobre o desenvolvimento da mente também devem aparecer no debate promovido pelo Instituto. 

Os participantes terão a oportunidade de fazer perguntas. Fique atento para mais informações! 

LINK: bit.ly/mandalah-gabormate 

instituto phaneros

Essa semana na Comunidade: uma conversa com Leor Roseman, PhD

instituto phaneros

A ayahuasca e os psicodélicos podem ajudar na mediação de conflitos e no desenvolvimento de uma cultura de paz? Essa é uma das perguntas norteadoras da pesquisa mais recente do Dr. Leor Roseman, nosso convidado da semana na Comunidade Phaneros.

Antes de focar na ayahuasca, o  pesquisador do Imperial College London já havia se  dedicado a estudar correlatos neurais da experiência psicodélica, aplicações terapêuticas da psilocibina para depressão e os potenciais psicossociais dos psicodélicos. Formado em Tel-Aviv, em Israel, Roseman investiga atualmente o potencial da ayahuasca em cerimônias que reúnem palestinos e israelenses.

Nesta semana na Comunidade Phaneros, teremos a presença do Dr. Leor Roseman, que apresentará um pouco do seu trabalho. Ele também estará disponível para interagir com os membros da Comunidade e responder perguntas ao vivo.

A Comunidade Phaneros é um grupo de estudos que já reúne mais de 400 membros interessados em psicodélicos e saúde mental. O grupo se reúne semanalmente para dialogar com convidados especiais, como nesta semana – mas também para aprofundar o aprendizado por meio  de livros, filmes e artigos científicos.

Se você quer saber mais sobre o assunto e participar da Comunidade Phaneros, acompanhe nossa página e aguarde o próximo período de inscrições! 

instituto phaneros

Experiências místicas e seu papel nos tratamentos psicodélicos

instituto phaneros

Na comunidade científica psicodélica, é comum o argumento de que não seria relevante ou necessário estudar as experiências místicas (EMs) que costumam acompanhar o uso dessas substâncias a fim de entender seu papel terapêutico. No entanto, a tentativa de retirar o misticismo da ciência psicodélica é, no mínimo, uma tendência que não faz jus à profundidade e à complexidade do tópico. Esse é o argumento central de Joost Breeksema e Michiel van Elk, cientistas da Leiden University, em um artigo publicado em julho de 2021. 

Os pesquisadores argumentam que o reconhecimento da complexa variedade de “estranhezas” das experiências psicodélicas deveria estar no cerne de qualquer programa de pesquisa minimamente sério sobre o tópico. Os autores também destacam a rica tradição de ferramentas científicas para estudar EMs, e a sua relevância para a compreensão dos efeitos terapêuticos dos psicodélicos.

Ferramentas como o Questionário de Experiência Mística (MEQ) e a Escala das 5 Dimensões de Estados Alterados de Consciência (5D-ASC) têm se mostrado valiosas no mapeamento da fenomenologia induzida por psicodélicos. Ao lado dessas escalas padronizadas, os métodos de pesquisa qualitativa são particularmente úteis para estudar as experiências, usando técnicas como entrevistas em profundidade, observação participante e microfenomenologia, que ajudam a explorar o que foi vivido  em detalhes mais precisos.

Um número crescente de pesquisadores interessados ​​no potencial terapêutico dos psicodélicos busca categorizar as EMs enquanto “efeitos colaterais” completamente irrelevantes. Outros, no entanto, apontam para a relevância  da experiência subjetiva. Embora esse debate ainda não esteja terminado, vale ressaltar a importância do contexto cultural, tanto para levar (ou não) em consideração  essas experiências, quanto para entender sociedades  que questionam até mesmo a divisão entre místico/ordinário ou transcendente/imanente.

instituto phaneros

Medicalização psicodélica: quando a mudança coletiva é vendida como individual

instituto phaneros

Há milênios os psicodélicos têm sido utilizados em práticas culturais, religiosas e xamânicas. Nesses contextos, é comum que o uso das substâncias esteja associado a manifestações corporais, cosmovisões e crenças comunitárias partilhadas e continuamente refletidas pelos povos praticantes. No entanto, de algumas décadas para cá, os psicodélicos vêm ocupando progressivamente o status de “medicamento”, como os tantos outros disponíveis na farmacopéia ocidental. 

Essa transformação cultural em torno do uso dos psicodélicos, que passa de uma perspectiva xamânica para uma farmacológica, é liderada por pesquisas científicas, instituições de mídia e discursos de autoridades governamentais sobre drogas. 

Em artigo publicado em junho deste ano, Alex Gearin, da Xiamen University, e Nese Devenot, da Case Western Reserve University, discutem algumas das implicações que o conhecimento científico e a narrativa médica atual estão provocando em torno do uso dos psicodélicos.

A noção já muito difundida na comunidade científica internacional, de que os transtornos mentais seriam problemas de ordem cerebral, com alguma manifestação psicológica, sem levar em conta todos os processos culturais e sociais envolvidos em seu desenvolvimento, tem contribuído para a ideia de que os psicodélicos seriam meramente “corretores” do cérebro humano, sendo as experiências místicas meros apêndices da ação biológica dos psicodélicos.

O artigo ressalta como o próprio termo, “psicodélico”, com seu significado latino, “manifestação da mente”, coloca a terapia psicodélica dentro dessa noção de que o transtorno estaria na mente do paciente. Esse paradigma individualista é o modelo explicativo dominante das doenças mentais na psiquiatria psicodélica contemporânea, que atualmente parece ignorar as causas sistêmicas do sofrimento e carece de integração com abordagens de cura baseadas em apoio comunitário, bem-estar coletivo e transformação da realidade social.

instituto phaneros

Esta semana na Comunidade: Wilhelm Reich

instituto phaneros

Wilhelm Reich foi um médico e psicanalista austríaco do início do século XX que se dedicou a estudar  temas como a política, a educação, a sexualidade, o cosmos, as estruturas de personalidade, o corpo e muitos outros. Este último tema, podemos considerar que é um dos seus grande diferenciais da psicanálise clássica, na qual geralmente se evitava o toque entre analista e paciente.

O seu trabalho de escuta e observação do corpo dos analisandos levou ao desenvolvimento de técnicas de intervenção e elaboração que posteriormente vieram a inspirar várias correntes terapêuticas. Reich descreveu, por exemplo, a presença de tensões crônicas e sua relação com padrões psicológicos e maneiras de se relacionar com o mundo, bem como maneiras para dissolver esta tensão na terapia.

A Psicoterapia Assistida por Psicodélicos (PAP) tem ressurgido como um campo com enorme potencial na saúde mental. Em experiências psicodélicas é comum que o sujeito vivencie fenômenos que podem ser compreendidos à luz da obra reichiana. Alguns exemplos são tremores internos sutis relacionados a traumas passados e liberação de tensões crônicas com conteúdos psicossomáticos associados. 

Nesta semana na Comunidade Phaneros, teremos os colegas Alexandre Barreto e Marco Spivack conversando um pouco sobre Reich, os neo-reichianos e suas contribuições para a PAP. A Comunidade Phaneros é um grupo com mais de 400 membros interessados em psicodélicos e saúde mental, com encontros semanais sobre artigos científicos, filmes, livros, abordagens terapêuticas e muito mais.

Se você se interessa por psicodélicos e quer fazer parte deste grupo de estudos, fique atento ao próximo período de inscrições da Comunidade!

instituto phaneros

Psicodélicos e Saúde Mental: para se manter atualizado

instituto phaneros

A ciência é  conhecimento em constante construção – verdades que eram absolutas há alguns anos podem ser questionadas a qualquer momento à medida que novas pesquisas são publicadas. Assim, para os profissionais da área da saúde, manter-se atualizado na profissão de escolha se torna cada vez mais essencial, tanto para a inserção no mercado de trabalho, quanto para melhorar o atendimento aos pacientes. 

Uma das áreas mais promissoras dos últimos anos para o tratamento de transtornos mentais – como a ansiedade, a depressão ou o estresse pós-traumático – vêm sendo as terapias psicodélicas. Resultados de pesquisas feitas nas principais instituições de ensino do mundo indicam que elas podem ser mais eficientes até do que os remédios psiquiátricos receitados atualmente. Por ser recente, no entanto, o assunto ainda não faz parte das formações tradicionais e dos cursos oficiais da área da saúde. 

Foi pensando nessa lacuna que o Instituto Phaneros lançou em 2020 seu curso “Psicodélicos e Saúde Mental”. Com mais de três horas de duração, divididas em 23 aulas e 6 módulos, mais de mil alunos já se inscreveram no curso. As gravações incluem conversas sobre os mecanismos de ação farmacológicos e psicológicos das substâncias psicodélicas, além de se debater a variedade das experiências psicodélicas. Como um todo, as aulas servem como uma introdução ao assunto fundamentada nas mais sólidas e recentes publicações científicas, uma oportunidade única no Brasil.

Ficou interessado em saber mais sobre o “Psicodélicos e Saúde Mental”?

Fique ligado também para mais novidades do Phaneros sobre formações na área da ciência psicodélica. Vem muito mais por aí!

https://institutophaneros.eadplataforma.com/curso/psicodelicos-e-saude-mental/ 

instituto phaneros

Journal Club: aprofundando a Integração Psicodélica

instituto phaneros

Nesta semana, o encontro usual da Comunidade Phaneros dará continuidade ao tema da “Integração”. O tópico já foi abordado em um Journal Club no início de setembro, o que rendeu debates riquíssimos e a ideia para uma segunda rodada. Desta vez, os mais de 400 membros  do nosso grupo de estudos sobre psicodélicos decidiram analisar um artigo que aborda a integração a partir da perspectiva do Internal Family Systems (IFS, ou Sistema Familiares Internos, em tradução livre).

Esse modelo de psicoterapia foi criado pelo norte-americano Richard Schwartz e trabalha as diferentes partes do sujeito a partir de uma coordenação central de um Self com características bem definidas. A proposta é estabelecer diálogos e conciliações entre partes cindidas e exiladas, com partes protetoras, de forma harmônica, de maneira que todas atendam suas necessidades sem “monopolizar” a psique.

Para contribuir nessa conversa  sobre  IFS e Psicoterapia Assistida por Psicodélicos, teremos conosco Karin Grunwald e Antônio Pedro Goulart, facilitadores de respiração holotrópica e especialistas em Internal Family Systems. Os espectadores certamente sairão com novos insights e terão a oportunidade de tirar dúvidas diretamente com os convidados, que têm vasta  experiência na integração de vivências com estados não-ordinários de consciência. 

Ficou interessado em participar das discussões incríveis da nossa comunidade? Então fique atento para o próximo período de inscrições!

instituto phaneros

Psicodélicos e conhecimentos indígenas

instituto phaneros

Um longo artigo publicado no Truffle Report, @truffle_report, um portal dedicado a notícias que envolvem o mundo dos psicodélicos, deu destaque ao trabalho e aos pensamentos do diretor do Instituto Phanero, Eduardo Schenberg, PhD. O assunto? A história indissociável de psicodélicos como a ayahuasca e os cogumelos mágicos de seus lugares de origem: as sociedades indígenas e seus saberes tradicionais.

O texto dá destaque a um artigo publicado por Schenberg e o advogado Konstantin Gerber @konstantingerberadvocacia na revista Transcultural Psychiatry, sobre “injustiças epistêmicas” – quando uma pessoa ou um certo grupo de pessoas são vistos como incapazes de criar e compartilhar seus próprios conhecimentos. 

Em um certo sentido, é o que aconteceu com substâncias psicodélicas. Séculos antes de exploradores e cientistas ocidentais entrarem em contato com essas plantas, comunidades inteiras já se beneficiavam de seus efeitos – criando, inclusive, sistemas complexos e essenciais para o seu uso, com contextos comunitários e ritualísticos. No entanto, a partir do momento em que cientistas brancos levaram essas substâncias para os laboratórios, eles focaram apenas nos compostos químicos e descartaram os outros fatores e conhecimentos dos povos tradicionais.

Esse desdém pelo conhecimento que vem do outro é ligado ao perfil das pessoas que o produzem. “Está diretamente conectado a raça. Assume-se que sociedades tradicionais não saibam o que sabem porque são burras, indígenas, negras, consideradas ‘primitivas ou selvagens'”, disse Eduardo ao Truffle Report. 

Esse é também o cerne do artigo de Schenberg e Gerber. “Povos indígenas têm o direito de manter, controlar, proteger e desenvolver sua herança biocultural, seu conhecimento tradicional e suas expressões culturais, incluindo práticas médicas”, escreveram eles. 

Importante considerar ainda que nesse processo os próprios cientistas perdem conhecimento relevante, como por exemplo o descaso com a variedade botânica e de métodos de preparo da ayahuasca, totalmente ignorados na literatura científica.